A etiqueta terrorista: um álibi para Trump, um presente de Rubio para si mesmo e um agrado à cúpula das ORCRIMs
Quando um governo acumula déficits de legitimidade e de popularidade, a segurança pública se converte em seu campo privilegiado de performance midiática. É a área em que o governante produz visibilidade social com seus próprios meios executivos, sem depender de outros setores do Estado, dos atores da sociedade e do mercado.
Os efeitos produzidos são imediatos e bastante instagramáveis. Operações de segurança combinam sonoridades e visualidades a olhos nus. Permitem a quem pouco fez ou conquistou mostrar serviço. Preenchem, no curto prazo, o déficit de credibilidade e de autoridade do governante. Mostram quem tem poder, mesmo com derrotas políticas e declínio de aprovação popular. Mostram quem governa. Mostram quem tem mando. Mostram quem age. A intervenção coercitiva se apresenta como o poder em sua mais expressiva exibição.
O uso publicitário da segurança pública cumpre, ainda, outras funções políticas estratégicas. Especialmente para a recomposição do mando do governante que acumula baixa entrega de políticas públicas. Fabrica coesão afetiva e senso de unidade em torno de uma ameaça inventada, externa ou interna. Abre espaço para a ampliação de poderes discricionários, com baixo controle e quase nenhuma prestação de contas. Possibilita intimidar opositores, acuar dissidências entre apoiadores e subordinar aliados.
Tem-se, diante do medo coletivo agravado, a concessão de uma procuração em aberto por parte de uma população mantida sob choque. Uma procuração para que se faça qualquer coisa, contra qualquer um e de qualquer maneira. Uma autorização que........
