Fundamentos de uma aliança social trabalhista para 2026: a crise no mundo do trabalho
A crise brasileira verdadeira não é fiscal, nem monetária, nem de dívida pública. Estas são falsas crises manipuladas pelas classes dominantes, principalmente financeiras, que capturaram o Estado em seu próprio benefício, estrangulando, no mesmo movimento, a sociedade civil. A crise brasileira verdadeira é a que se observa nas mudanças no mundo do trabalho e que se refletem em toda a vida social, por exemplo, pela corrente dos juros estratosféricos cobrados pela rede bancária. Aí é que se esconde um terrível presente e um futuro sombrio.
De fato, o mundo do trabalho, sob o efeito de grandes mudanças tecnológicas, experimenta uma crescente crise de desemprego industrial e rural, que se aprofundou a partir de reformas institucionais que ocorrem desde o governo Dilma e que se acentuaram nos governos Temer, Bolsonaro e no próprio governo Lula. O emprego formal na área específica do trabalho migrou para a sociedade na forma de subemprego e de um falso empreendedorismo individual, que não sustenta a si mesmo e muito menos a Previdência Social nos setores público e privado.
Com isso, se o orçamento fiscal não salvar a Previdência, os trabalhadores ficarão sem um suporte de vida quando chegar o momento de se aposentarem. Mas as classes dominantes recusam-se a aceitar o aumento de impostos para cobrir, com recursos do orçamento fiscal, os buracos crescentes do sistema previdenciário. Querem o contrário, ou seja, cortar os encargos financeiros do trabalho formal para reduzir os custos trabalhistas das empresas, o que significa reduzir salários e limitar ainda mais as receitas previdenciárias oriundas de contribuições de patrões e de empregados para a Previdência privada.
Como também a Previdência pública está em crise fiscal, para sobreviver milhões de trabalhadores são obrigados a recorrer aos bancos, que, por sua vez, cobram juros de agiotagem das famílias de baixa renda, usando seu poder monopolista ou oligopolista para forçá-las a se manterem presas ao endividamento crescente. Este já alcança, em muitos casos, 80% da renda familiar, em benefício de banqueiros e de rentistas. Em consequência, daqui a alguns anos, se é que esta já não seja a situação atual, milhões de trabalhadores estarão condenados à indigência e à miséria. Sua renda terá sido engolida pelos juros, que esgotarão sua capacidade de pagamento de comida e de remédios, assim como de serviços públicos como o de luz, caso não estejam, no caso do Rio, ligados por “gatos” da Light. Quanto ao gás, terão que buscar acesso à madeira retirada da Mata Atlântica.
A taxa de juros estratosférica tem sido a forma corriqueira pela qual bilhões de reais expropriados de um número excepcionalmente grande de trabalhadores endividados irrigam os cofres de uma minoria de bilionários. Estes são também os beneficiários da política de sustentabilidade da dívida pública, pelo estrangulamento do orçamento primário do Estado, onde se concentra a maioria das despesas de real interesse dos trabalhadores e do povo em geral.
O enfraquecimento da Previdência não foi efeito apenas do desenvolvimento tecnológico. Resultou, principalmente, de medidas neoliberais nos governos Temer e Bolsonaro, oriundas da mudança de correlação de forças entre as oligarquias econômicas, cada vez mais poderosas politicamente, e os trabalhadores e classes sociais mais baixas, que perderam voz ativa na sociedade e no Congresso.
Com isso, subsídios aos pobres, como o BPC (Benefício de Prestação Continuada), e outras formas de proteção ao trabalhador vinculadas ao salário mínimo têm sido atacados........
