Festival do Barco-Dragão: homenagem a um autêntico “louco do sul”
Nessa minha jornada pela China, além do empenho em aprender chinês — ainda estou naquele nível básico de quem sabe quase nada, matriculada na Beijing Foreign Studies University, a BFSU, que por aqui todo mundo chama de Běiwài (北外 ) —, volta e meia encontro pelo caminho cursos ligados ao Patrimônio Cultural Imaterial chinês. E, sempre que posso, me inscrevo.
Foi assim que participei, pela segunda vez, de uma atividade oferecida pela The Bridge, escola de mandarim voltada a estrangeiros. A primeira tinha sido sobre a Ópera de Pequim. Desta vez, sentei diante de folhas de bambu, arroz glutinoso e barbantes para aprender a fazer zongzi, o bolinho tradicional do Festival do Barco-Dragão.
À primeira vista, parecia uma aula de culinária. Mas logo percebi que era outra coisa: uma pequena iniciação na forma chinesa de transformar comida em memória, gesto em símbolo e tradição em encontro.
O zongzi exige paciência. A folha precisa ser dobrada do jeito certo, o arroz não pode escapar, o recheio precisa caber, e o barbante precisa firmar sem esmagar. Enquanto eu tentava entender a lógica daquela pequena arquitetura comestível, pensei que talvez fosse essa a beleza das tradições: elas entram primeiro pelas mãos, antes de chegarem à cabeça.
Ao meu lado, uma colega japonesa seguia as orientações do chef convidado com uma destreza que me deixou devidamente humilhada. Mesmo assim, lá fui eu: tentei, errei, tentei de novo, errei melhor, até conseguir montar uma trouxinha minimamente digna e me dar por satisfeita.
Como comentei com a professora Sylvie, que conduzia a atividade em inglês, minha coordenação motora fina está no mesmo lugar que a minha capacidade de ler mapas: perdida em algum limbo da minha........
