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Um zumbi chamado BRB

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06.04.2026

O único banco estatal a sobreviver até hoje tinha que ser o de Brasília.

A Sudene, criada para desenvolver o Nordeste e reduzir desigualdades, foi esvaziada.

A Supra, responsável por executar a reforma agrária, foi desmontada.

Não por relevância estratégica.

Mas por utilidade política.

Durante anos, serviu ao toma-lá-dá-cá, orbitando interesses menores e acumulando distorções que o tempo agora cobra.

A relação com o Banco Master escancarou o problema.

O BRB engoliu uma carteira de crédito inflada, pagando caro por ativos que hoje valem, ao que tudo indica, uma fração do preço.

O resultado é um banco fragilizado, com balanço pressionado e credibilidade comprometida.

Agora, caminha como um zumbi.

Percorreu o mercado com o pires na mão.

Recebeu propostas simbólicas — R$ 1 para quem aceitasse assumir o problema, desde que o Banco Central entrasse financiando a operação.

Procurou a Caixa Econômica.

Mas o fundo existe para proteger depositantes, não para salvar banco.

Agora, segundo reportagem recente, o BRB avalia recorrer diretamente ao Banco Central, pedindo acesso à linha de liquidez — instrumento pensado para crises sistêmicas, não para corrigir erros de gestão.

Quando um banco precisa do BC para sobreviver, o problema deixou de ser pontual.

O mercado já decidiu: não atende mais o telefone.

O que se desenha é mais um roteiro conhecido:

Uma solução estatal, tecnicamente justificável, mas que no fim socializa prejuízos.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.


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