menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Trump e Rubio: “Este hemisfério é nosso”

23 0
14.08.2026

A Venezuela é nossa. Cuba é nossa. A América Latina é nossa. O Brasil é nosso. Este hemisfério é nosso. 

 Donald Trump e Marco Rubio não pronunciaram literalmente essas frases. Não precisaram. O Departamento de Estado dos Estados Unidos encarregou-se de transmitir a mensagem. 

Em um vídeo oficial que reconstrói mais de dois séculos da presença norte-americana no continente, recupera a Doutrina Monroe, celebra intervenções dos Estados Unidos e apresenta a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro como uma “manobra calculada” destinada a enviar um sinal ao hemisfério, Washington chega a uma conclusão que dispensa interpretação: 

“This is OUR hemisphere.” (“Este hemisfério é NOSSO.”) 

E vai além. A dominância dos Estados Unidos sobre o Hemisfério Ocidental, proclama o vídeo oficial, “nunca mais será questionada”.  É difícil imaginar uma formulação mais explícita. A questão deixou de ser saber se Donald Trump pretende ressuscitar a Doutrina Monroe. Ela já foi ressuscitada. A pergunta agora é outra: Até onde os Estados Unidos estão dispostos a ir para transformá-la em realidade? 

O homem ao lado de Trump 

Ao analisar o vídeo do Departamento de Estado, o historiador e comentarista internacional Leonardo Trevisan chamou atenção para uma dimensão pouco observada da peça. Para ele, o vídeo não seria destinado prioritariamente à América Latina. “O vídeo não é para nós. O vídeo é o lançamento de uma candidatura. A de Marco Rubio a presidente dos Estados Unidos.” 

Rubio estaria tentando apresentar-se aos norte-americanos como uma espécie de John Quincy Adams do século XXI — o homem capaz de formular uma nova política para assegurar a supremacia dos Estados Unidos nas Américas. É uma interpretação, não um fato. Mas merece atenção. Principalmente porque o adversário também está claramente identificado. 

Agora o adversário é a China 

Em 1823, a Doutrina Monroe dirigia-se às potências europeias. A mensagem era simples: “não tentem recolonizar as Américas.” Dois séculos depois, o centro da disputa deslocou-se. Agora o adversário estratégico é a China.  

Não se trata de capitalismo contra socialismo, esquerda contra direita ou democracia contra autoritarismo. Trata-se de poder. Recursos naturais. Petróleo. Lítio. Terras raras. Água. Alimentos. Energia. Tecnologia. Portos. Rotas comerciais. Influência política. 

 A China transformou-se no principal parceiro comercial de vários países latino-americanos e ocupa posição central no comércio exterior brasileiro. Para Washington, o avanço chinês em uma região historicamente considerada sua área de influência deixou de ser apenas um problema econômico. 

Passou a ser tratado como questão de segurança nacional.  A América Latina voltou ao centro do tabuleiro.  E o que até........

© Brasil 247