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O impasse das elites na eleição decisiva de 2026

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26.04.2026

O problema das elites brasileiras já não é apenas escolher um candidato. É evitar perder o controle num cenário em que o bolsonarismo colapsa, Flávio Bolsonaro não se firma como herdeiro político e Lula permanece como o único polo real de poder.Na política, os movimentos decisivos raramente são anunciados. Eles se acumulam, se insinuam e, quando aparecem, já estão consumados.É o que ocorre agora com Flávio Bolsonaro.O herdeiro político de Jair Bolsonaro tentou ocupar o vazio deixado pelo pai. Fracassou. Faltou densidade, faltou liderança, faltou projeto. Sobrou rejeição.O problema não é apenas eleitoral. É estrutural.Flávio não organiza maioria. Não estabiliza nem oferece previsibilidade. Para o establishment, isso basta.O que se vê, hoje, é um afastamento progressivo, ainda cuidadoso, mas cada vez mais nítido, de setores empresariais, financeiros, midiáticos e políticos que já compreenderam o óbvio: o bolsonarismo com ou sem Jair Bolsonaro perdeu sua principal função histórica.Deixou de ser instrumento de poder. Passou a ser fator de risco.

O bolsonarismo sem Jair não se sustenta

O diagnóstico já está feito, ainda que nem sempre seja dito de forma direta.Sem Jair Bolsonaro no centro do tabuleiro, o bolsonarismo perde força gravitacional. A extrema direita brasileira foi construída em torno de um líder, de sua linguagem, de sua agressividade, de sua capacidade de mobilizar ressentimentos e produzir crise como método.Flávio não herdou esse capital político. Apenas carrega o sobrenome.E sobrenome, sozinho, não vence eleição presidencial.Editorial do Estadão, leituras da Folha, análises de Miriam Leitão, no Globo, e movimentos de bastidor no mundo empresarial convergem no essencial: há fadiga com o extremismo, cansaço com o ruído e demanda por previsibilidade.Mas há um problema maior.Nada disso produziu uma alternativa.

Não existe “terceira via” — existe um vazio

Este é o ponto que reorganiza toda a eleição de 2026.As elites não querem Flávio. Mas também não têm quem........

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