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O alerta ao Brasil dos protestos contra Trump nos EUA

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29.03.2026

Donald Trump começou a enfrentar aquilo que os projetos autoritários mais temem: o instante em que o medo deixa de paralisar e passa a se transformar em resistência de massas. Neste sábado, 28 de março de 2026, milhões de pessoas ocuparam as ruas dos Estados Unidos e de outros países sob o lema “No Kings” — “Sem reis” — em mais de 3.200 atos espalhados pelos 50 estados.  

A dimensão da mobilização, descrita por parte da imprensa internacional como uma das maiores da história recente do país, não foi apenas numérica. Foi política. Mostrou que a rejeição ao trumpismo deixou de ser um fenômeno restrito às grandes metrópoles liberais e passou a ganhar densidade nacional. 

Não se trata de um detalhe de conjuntura. Trata-se de um sintoma histórico. Quando milhões vão às ruas para dizer “No kings”, o que está sendo recusado não é apenas a retórica inflada de um presidente narcisista. O alvo é um método de governo assentado na concentração de poder, na intimidação institucional, na perseguição a imigrantes, na normalização da força e na guerra como espetáculo de comando.  

As ruas perceberam antes de boa parte do establishment aquilo que muitos ainda tentam diluir em eufemismos: Trump não representa apenas uma direita agressiva. Representa uma mutação autoritária do poder nos Estados Unidos. 

As ruas romperam o silêncio 

A força dos protestos está na escala e na nitidez. Os manifestantes reagiram à escalada militar contra o Irã, às ações repressivas contra imigrantes, ao custo de vida e à erosão das normas democráticas. O Washington Post registrou que esta foi a maior mobilização coordenada da história do próprio movimento “No Kings”. O Guardian foi além e a situou entre as maiores da história americana. Quando uma contestação alcança esse patamar, ela deixa de ser desabafo. Vira advertência. 

Não foi um espasmo liberal de fim de semana. Foi uma mensagem política clara. Uma parte expressiva da sociedade norte-americana já percebeu que o trumpismo não é excentricidade eleitoral. É ofensiva estrutural contra as bases mínimas da democracia.  

O presidente que trata adversários como inimigos internos, transforma a repressão em linguagem de governo e usa a guerra como demonstração permanente de mando já não pode mais ser lido como extravagância. O que as ruas disseram, em escala continental, é simples: há um limite. E ele começou a ser defendido publicamente. 

Jeffrey Sachs e o cemitério da hegemonia 

É aqui que a leitura de Jeffrey Sachs ganha peso. Na entrevista a Glenn Diesen, publicada em 25 de março, Sachs sustenta que a ofensiva contra o Irã não demonstra força renovada dos Estados Unidos, mas decadência estratégica. A formulação é devastadora: o Irã pode se tornar o “cemitério........

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