Flávio escancara os portões do Brasil para Trump
Jamil Chade dirigiu a Flávio Bolsonaro a pergunta que deveria atravessar a campanha presidencial: “Afinal, quem governará o Brasil se o senhor for eleito?”
Não é uma pergunta retórica. É a questão central de uma eleição na qual o candidato da extrema-direita brasileira se apresenta também como candidato de Donald Trump e Marco Rubio, líderes da ultradireita continental que pretende recolocar a América Latina sob o comando de Washington. Flávio pede o voto dos brasileiros. Mas precisa dizer a quem obedecerá: a Trump e Rubio?
Em carta aberta apresentada no programa De Cabeça pra Baixo, Jamil perguntou se Flávio permitirá a presença de tropas e bases norte-americanas no Brasil; se autorizará bombardeios sob o pretexto de combater organizações classificadas por eles como terroristas; se entregará nossos minerais estratégicos à indústria militar dos Estados Unidos.
A pergunta final de Jamil é, se eleito, Flávio romperá com a China, o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, quando ultrapassou os Estados Unidos e representa sozinha mais de 30% do destino das exportações do Brasil, gerando os maiores superávits da balança comercial.
A cada pergunta, aparece a mesma ameaça: a perda da soberania nacional. Mas já não discutimos apenas hipóteses. Trump e Rubio mostraram na Venezuela, em Cuba, no Caribe o que estão dispostos a fazer.
A Venezuela invadida
Em 3 de janeiro, forças especiais norte-americanas invadiram Caracas e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores. Mais de 150 aeronaves participaram da operação, preparada pelo Pentágono e pela CIA. Maduro e Cilia foram arrancados de dentro do Palácio Presidencial Miraflores e de seu país, levados aos Estados Unidos e encarcerados em Nova York.
Oito meses depois, continuam presos no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn, aguardando julgamento sob as leis do mesmo país que invadiu a Venezuela para capturá-los.
Podem-se fazer todas as críticas ao governo de Maduro. Nenhuma concede aos Estados Unidos o direito de invadir um país soberano, sequestrar seu presidente e levá-lo como prisioneiro para Nova York. Isso não é aplicação internacional da Justiça. É a justiça do império: o poder militar transformado em polícia, tribunal, júri e executor. A operação, que deixou também 32 militares cubanos mortos, foi uma advertência ao continente: o país que não obedecer poderá ser bloqueado, bombardeado, invadido ou ter seu presidente sequestrado.
O maior roubo da história
Nesta sexta-feira, 28 de agosto, aparece o motivo principal da invasão: o petróleo da Venezuela, país com a maior reserva do mundo. São 303 bilhões de barris na frente da Arábia Saudita (267 bi) e do Irã (209 bi), o que significa 17% de todas as reservas conhecidas do planeta. A Venezuela é membro fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), ao lado do Irã, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Os Estados Unidos obtiveram o controle majoritário sobre 65........
