E se Flávio Bolsonaro perder a eleição de 2026? (2)
Vinte e dois dias atrás, publicamos um artigo que terminava com uma pergunta simples: e se Flávio Bolsonaro perder a eleição presidencial de 2026?
Naquele momento, tratava-se de uma hipótese. Desde então, uma sucessão de acontecimentos políticos e diplomáticos transformou essa indagação em um tema central da campanha eleitoral.
O primeiro deles ocorreu em 22 de julho, quando Flávio Bolsonaro reuniu-se, em Brasília, com diplomatas estrangeiros para apresentar críticas ao sistema eleitoral brasileiro. Durante o encontro, voltou a levantar dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas, mencionou a empresa Smartmatic e defendeu a presença de observadores internacionais nas eleições de outubro.
Depois da repercussão negativa, afirmou que apenas respondera a perguntas dos diplomatas e negou ter colocado em dúvida a lisura do processo eleitoral.
O episódio, entretanto, desencadeou uma reação incomum.
Editorialistas de O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo e Valor Econômico, além de diversos analistas políticos, identificaram na iniciativa a reedição da estratégia utilizada por Jair Bolsonaro antes das eleições de 2022 e por Donald Trump nos Estados Unidos: lançar suspeitas sobre o sistema eleitoral antes da votação e, diante das críticas, negar que isso tenha sido feito.
A sequência de fatos ganhou nova dimensão dois dias depois.
Reportagem do Washington Post revelou que integrantes do Departamento de Estado norte-americano planejavam viajar ao Brasil para discutir temas ligados ao processo eleitoral. O governo brasileiro interpretou a iniciativa como uma tentativa de interferência em assunto interno e decidiu negar os vistos diplomáticos solicitados.
Washington sustentou que a missão teria caráter institucional e trataria de temas como liberdade de expressão, liberdade religiosa e integridade eleitoral. Brasília respondeu que a organização das eleições é matéria exclusiva da soberania nacional.
A ultradireita trumpista
Pela primeira vez desde a redemocratização, o sistema eleitoral brasileiro transformava-se em objeto de um impasse diplomático entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, outro movimento chamava atenção.
A candidatura de Flávio Bolsonaro aprofundava sua aproximação com a rede internacional da ultradireita liderada por Donald Trump. Javier Milei participou da convenção nacional do Partido Liberal. Eduardo Bolsonaro intensificou sua atuação política nos Estados Unidos. Marco Rubio voltou a ocupar papel relevante nas discussões envolvendo as........
