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A primeira eleição depois do golpe

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05.08.2026

Pela primeira vez desde a redemocratização, o Brasil realiza uma eleição presidencial depois de uma tentativa de golpe de Estado investigada, julgada e condenada. Essa talvez seja a principal diferença entre a eleição que levou Luiz Inácio Lula da Silva de volta à Presidência da República, em 2022, e à disputa pela reeleição na campanha de outubro de 2026. 

Há quatro anos, o país ainda não conhecia o desfecho da radicalização política que vinha crescendo desde a posse de Jair Bolsonaro, eleito em 2018. Os bloqueios de rodovias, os acampamentos diante dos quartéis, os ataques às instituições, a violência em Brasília durante a diplomação de Lula e a tentativa de explosão de um caminhão carregado de combustível nas proximidades do Aeroporto Internacional da capital foram, durante semanas, tratados por muitos como episódios isolados.  

Somente depois da invasão do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, em 8 de janeiro de 2023, tornou-se evidente que aqueles acontecimentos faziam parte de uma mesma escalada contra a ordem democrática. 

Operação Rede Interrompida 

Hoje, o Brasil olha para sinais semelhantes de outra maneira. 

A Operação Rede Interrompida, deflagrada nesta terça-feira 4, pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), com apoio de órgãos federais de segurança e inteligência, investiga um grupo suspeito de planejar ações violentas durante o período eleitoral de outubro de 2026.  

Os investigados, segundo a PCDF, discutiam ataques a prédios públicos, compartilhavam plantas da Esplanada dos Ministérios, recrutavam participantes em diferentes estados e trocavam material relacionado à fabricação de explosivos. 

Cabe à Justiça estabelecer responsabilidades e julgar os fatos. Mas o significado político da operação ultrapassa o inquérito policial. Ela revela que o Estado brasileiro passou a reagir de forma diferente depois da experiência traumática de 2022 e 2023. 

Os EUA de Biden e Trump 

O que despertou a atenção nacional não foi apenas a investigação em si, mas o contexto em que ela ocorre: uma eleição presidencial realizada apenas quatro anos depois da primeira tentativa de ruptura institucional da democracia brasileira desde a Constituição de 1988. 

Mas há outra diferença fundamental em relação a 2022. Na eleição anterior, o governo de Joe Biden reconheceu rapidamente o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral e condenou a invasão dos Três Poderes. Agora, a campanha se desenvolve sob uma crescente tensão diplomática entre Brasília e Washington. 

Donald Trump não esconde qual é seu interlocutor preferencial na disputa brasileira. Recebeu Flávio Bolsonaro em Washington, integrantes de sua administração mantiveram interlocução direta com o senador e sucessivas manifestações de autoridades........

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