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Julian Barnes e o Prêmio Princesa de Astúrias ou a Literatura a serviço do Império

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18.06.2026

No último dia 10 deste mês a Fundação Princesa de Astúrias anunciou que o seu prêmio de Letras de 2026 foi concedido ao escritor britânico Julian Barnes.

Como informa em seu site oficial, a “Fundação Princesa de Astúrias é uma instituição privada sem fins lucrativos, cujos objetivos são contribuir para a valorização e promoção de todos os valores científicos, culturais e humanísticos que constituem patrimônio universal, bem como consolidar os laços existentes entre o Principado de Astúrias e o título que tradicionalmente ostentam os herdeiros da Coroa de Espanha.

Sua Majestade, o Rei Dom Felipe VI, é Presidente de Honra da Fundação desde a sua criação, em 1980. Após sua proclamação como Rei de Espanha, em 19 de junho de 2014, Sua Alteza Real, a Princesa Leonor de Borbón e Ortiz, a Princesa das Astúrias, ocupa a Presidência de Honra desta Instituição, que concede anualmente o Prêmio Princesa de Astúrias.

Destinados a premiar o trabalho científico, técnico, cultural, social e humanitário realizado por pessoas, instituições, grupos de pessoas ou de instituições no âmbito internacional, são concedidos em oito categorias: Artes, Letras, Ciências Sociais, Comunicação e Humanidades, Pesquisa Científica e Técnica, Cooperação Internacional, Concórdia e Esportes.

Os prêmios são entregues em uma cerimônia solene anual que ocorre em outubro, no Teatro Campoamor, em Oviedo.

A cerimônia de entrega dos prêmios é considerada um dos eventos culturais mais importantes da agenda internacional. Ao longo de sua história, esses prêmios receberam diversos reconhecimentos, como a declaração extraordinária que a UNESCO fez em 2004 por sua contribuição excepcional ao patrimônio cultural da Humanidade.” (1)

No mesmo site, a Fundação também informa que ao escolher Julian Barnes, o júri

“destacou sua condição de extraordinário contista e ensaísta, dotado de humor, ironia e de um “otimismo melancólico e um pessimismo alegre”, segundo suas próprias palavras. Barnes oferece uma visão lúcida, calorosa e compassiva do gênero humano, e utiliza a memória como formadora de identidade sem abrir mão da imaginação, tendo o amor como princípio essencial.

Sua obra reelabora, com um olhar europeísta, a história da literatura, da arte, da música e até mesmo da gastronomia, até alcançar um estilo único, que o destaca dentro de uma geração de autores britânicos especialmente brilhantes, que marcou a literatura contemporânea.” (2)

Por fim, a Fundação destaca que Julian Barnes é “comprometido com os direitos humanos, ele participa das organizações Freedom from Torture e Dignity in Dying. Além dos prêmios já mencionados, em 2021 recebeu o Prêmio Jerusalém e, entre outros, o E. M. Forster da Academia Americana de Artes e Letras (1986), o Prêmio Femina étranger por *Hablando del asunto* (França, 1992), o Prêmio Estatal da Áustria de Literatura Europeia (2004) e o Prêmio David Cohen de Literatura (Reino Unido, 2011). É Cavaleiro das Artes e das Letras da França (2004).” (3)

Julian Barnes é de fato um bom escritor que se tornou conhecido internacionalmente com a publicação em 1984 de seu terceiro romance, “O Papagaio de Flaubert”, em que mistura vários gêneros, da biografia ao ensaio.

O prêmio Princesa de Astúrias de Letras de 2026 teve 37 candidaturas provenientes de 24 nacionalidades e entre estas pode haver outros escritores e escritoras tão merecedores do prêmio quanto Julian Barnes. A fundação não divulga os nomes dos outros candidatos e candidatas ao seu prêmio de Letras e deste modo não temos como julgar se a escolha foi a mais acertada. O fato é que o júri decidiu premiar um bom escritor que , tristemente, também escolheu fechar os olhos para os crimes do Império.

Em 2016 Julian Barnes publicou seu romance O Ruído do Tempo. Em 2012 Julian Assange, jornalista e fundador do........

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