Como a literatura fez de mim um atleta
Tudo começou com Monteiro Lobato.
Caçadas de Pedrinho foi a primeira grande leitura da minha infância. Depois vieram Reinações de Narizinho, A Chave do Tamanho, O Picapau Amarelo e todos os outros. Ainda hoje, tantos anos depois, lembro com muita nitidez da alegria intensa e concentrada com que eu lia estes livros, das tardes inteiras que passei com eles, sem esforço ou cansaço.
Júlio Verne veio em seguida e foi então o tempo das aventuras em lugares distantes e maravilhosos: Miguel Strogoff, A Ilha Misteriosa, Vinte Mil Léguas Submarinas... O mundo ficava maior e eu crescia.
Os Meninos da Rua Paulo, do húngaro Ferenc Molnár, foi o último livro da minha infância e, à época das aventuras, sucedeu o tempo da ternura: quem poderia jamais esquecer de Clarissa, do Érico Veríssimo? Ou de O Amanuense Belmiro, do Cyro dos Anjos? Ou ainda de O Feijão e o Sonho, do sempre admirável Orígenes Lessa?
E aí aconteceu o encontro decisivo com Machado de Assis. Lendo Memórias Póstumas de Brás Cubas, eu tive, pela primeira vez, a certeza instintiva e imediata de que aquilo era algo grandioso e incomum, um acontecimento novo e inesperado no mundo.
Depois, muito depois, já adulto, percebi que não conseguia mais ler com aquela mesma intensidade. O interesse pelos livros continuava o mesmo, embora, com o trabalho e as outras obrigações, eu tivesse agora bem menos tempo.........
