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Uma candidatura natimorta para o bem do Brasil

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18.05.2026

A trajetória política de Flávio Bolsonaro talvez diga mais sobre o Brasil contemporâneo do que sobre um único parlamentar. Porque, quando observada de forma cronológica, ela revela não apenas uma sequência de episódios controversos, mas um padrão persistente de relações entre poder político, circulação opaca de dinheiro, milícias, fisiologismo econômico e alinhamento subordinado a interesses externos.

Mais do que casos isolados, o que aparece é um método, uma maneira de exercer a política.

O início: homenagens perigosas e as conexões com as milícias

Ainda como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro concedeu a Medalha Tiradentes - maior honraria do estado - a Adriano da Nóbrega. Naquele momento, a homenagem poderia parecer apenas mais um gesto parlamentar protocolar. O tempo, porém, transformou completamente seu significado político.

Anos depois, Adriano seria apontado pelo Ministério Público como liderança do chamado “Escritório do Crime”, organização associada a execuções sob encomenda, extorsão e controle armado de territórios no Rio de Janeiro. A situação tornou-se ainda mais grave quando vieram à tona informações de que familiares de Adriano - sua mãe e sua ex-esposa - trabalhavam no gabinete de Flávio Bolsonaro.

Não se tratava apenas de uma homenagem equivocada. Tratava-se da proximidade entre um núcleo político influente e personagens ligados ao universo miliciano fluminense. E isso importa porque as milícias no Rio de Janeiro não surgem fora do Estado. Elas nascem justamente da fusão entre agentes públicos, violência armada e controle territorial.

Ao longo das últimas décadas, investigações e CPIs demonstraram repetidamente as conexões entre milícias e setores da política institucional. Nesse contexto, homenagens, vínculos e nomeações deixam de ser detalhes administrativos. Tornam-se sinais políticos.

O escândalo das rachadinhas: corrupção como método

Mas foi o caso das “rachadinhas” que colocou definitivamente Flávio Bolsonaro no centro de um dos maiores escândalos de corrupção da política recente.

O núcleo da investigação envolvia Fabrício Queiroz, ex-policial militar e assessor histórico da família Bolsonaro.

Relatórios do antigo Coaf apontaram movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo Queiroz e assessores ligados ao gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj.

As suspeitas iam muito além da simples devolução de salários.

O caso revelou uma engrenagem marcada por: circulação informal de dinheiro público; funcionários fantasmas; depósitos cruzados entre assessores; movimentações incompatíveis com os rendimentos declarados; e uso político da........

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