Lula 4 e a (in)justiça de transição
O atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva surgiu em um contexto excepcional. Após anos de radicalização política, corrosão institucional e tentativa aberta de ruptura democrática, Lula precisou construir uma ampla frente política para derrotar a extrema direita e garantir condições mínimas de governabilidade.
Isso implicou concessões, alianças com setores conservadores, acordos com o centro político e limites concretos para mudanças mais profundas. O problema é que, passadas décadas de redemocratização, começa a surgir uma pergunta incômoda: até quando o país continuará sobrevivendo apenas de pactos de conciliação sem enfrentar suas feridas estruturais?
E, talvez, nenhuma dessas feridas seja tão simbólica quanto a ausência de justiça de transição no Brasil. O país que nunca acertou contas com a ditadura
O Brasil jamais realizou um processo profundo de responsabilização pelos crimes da ditadura militar. Também não reparou, consoante a Constituição Federal, a todos os atingidos pela ditadura.
Na Argentina, as Mães da Praça de Maio se tornaram símbolo internacional da luta por memória, verdade e justiça. O Estado argentino, ainda que de forma tardia e contraditória, construiu políticas públicas de reconhecimento, julgamentos e preservação da memória histórica, inclusive com o encarceramento dos militares criminalizados pela crimes........
