A quem, de fato, responde o Banco Central?
O movimento em torno de Gabriel Galípolo não é apenas técnico, é político. Ele revela a consolidação de uma espécie de “quarto poder” da República: um Banco Central cada vez mais autônomo, blindado do controle democrático e operando como um poder paralelo.
Essa direção não surge do nada. Há uma clara similaridade de pensamento entre Galípolo e Roberto Campos Neto. Ambos já se posicionaram contra o pleno emprego sob o argumento de que ele pressionaria a inflação, ou seja, que trabalhadores com mais poder de decisão seriam um problema. No fundo, trata-se de uma escolha política: conter salários e preservar a lógica do mercado como prioridade.
A PEC 65/2023 também não é um detalhe isolado, ela aprofunda a independência do Banco Central ao dificultar ainda mais a influência de governos eleitos sobre suas decisões, especialmente na definição da taxa de juros. E aqui entra um ponto central: a taxa Selic, a taxa básica de juros da economia, o principal instrumento do Banco Central.
A taxa Selic funciona como referência para todas as outras taxas do país: quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro, o consumo tende a cair e o investimento diminui; quando........
