Globo, Flávio e o teatro de uma entrevista
A Globo escancarou, na sexta-feira, qual é o seu candidato. O roteiro da entrevista concedida por Flávio Bolsonaro ao JN tem todos os sinais de ter sido cuidadosamente construído para ajudar o candidato a sair das cordas do escândalo do Banco Master.
A mudança em relação à linha inquisitória adotada pela dupla de jornalistas na noite anterior, durante a entrevista com o presidente Lula, não é gratuita.
Sugere um reposicionamento da emissora dos Marinho, que vinha trabalhando com a possibilidade de Ronaldo Caiado, candidatura que não decolou, e agora parece se mover na direção de Flávio Bolsonaro.
É perfeitamente plausível que, por trás desse movimento, estejam não apenas os interesses da elite financeira, mas também, e principalmente, os do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
A entrevista com Flavio é muito reveladora. Durante os 40 minutos, boa parte das perguntas foi feita por Renata Vasconcellos, que se mostrou bem mais amena ao tratar de temas pra lá de espinhosos do currículo do senador.
O tom das perguntas foi tão cordial que Flávio aproveitou a deixa para se solidarizar com Renata por conta de uma resposta dada por Lula, que ele tentou transformar, de maneira oportunista, em uma agressão.
Para quem tem uma alta rejeição entre o eleitorado feminino, Flávio Bolsonaro deveria agradecer, e muito a Renata Vasconcellos.
Ela não levou para a entrevista um tema que é especialmente caro às mulheres: o aumento dos feminicídios em São Paulo, estado governado pelo aliado Tarcísio de Freitas.
A crise com a mulher de seu pai também não chegou a ser mencionada.
Muito menos houve uma pergunta sobre o desprezo com que Flávio tratou recentemente a própria madrasta, ao dizer que Michelle “não entende de política”, que é uma novata que está “chegando agora” e que deveria ficar fora das decisões partidárias.
Renata poderia ainda ter lembrado o histórico de machismo dos Bolsonaro,........
