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Vivências coletivas

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15.06.2026

Viver presencialmente em turmas de amigos, com vivências coletivas em shows, cinemas, passeatas, comícios, militância em núcleos de base na formação do Partido dos Trabalhadores etc., foi decisivo na formação da mentalidade cultural e politizada de um homem comum, nascido na geração baby boom/'68.

Para muitos brasileiros nascidos no pós-guerra, com juventude entre o fim dos anos 1960 e o início dos anos 1980, a formação política e cultural ocorreu fundamentalmente por meio de experiências coletivas presenciais. Não era apenas adesão intelectual a ideias abstratas. Era socialização histórica vivida em grupo.

Essa dimensão é decisiva para compreender a mentalidade de parte da geração baby boom brasileira. A consciência política não surgia somente da leitura, da universidade, da imprensa ou de doutrinas ideológicas.

Ela emergia de uma ecologia relacional composta de amizades, assembleias, cineclubes, passeatas, festivais, sindicatos, reuniões clandestinas, bares, shows, ocupações estudantis, núcleos partidários, comunidades eclesiais de base e movimentos culturais. O indivíduo descobria o mundo junto com outros.

A experiência coletiva produzia identidade histórica. Participar de uma passeata contra a ditadura, de um show censurado, de uma reunião estudantil, de um comício das Diretas Já ou de um núcleo de formação do Partido dos Trabalhadores não era apenas “atividade política”. Era vivência emocional compartilhada.

Produzia pertencimento, linguagem comum, memória coletiva, solidariedade, percepção de risco político e senso de missão histórica. A política era corporal, porque unia vozes, cantos, medo da repressão político-policial, abraços, discussões intermináveis, panfletagem e convivência........

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