Estudos Sociopolíticos da Inteligência Artificial
As ideias centrais apresentadas no livro Estudos Sociopolíticos da Inteligência Artificial, publicado em 2025, cuja organização é de Sylvia Iasulaitis e Sérgio Amadeu da Silveira, especificamente em sua fundamentação teórica inicial, focam na compreensão da IA não como uma tecnologia abstrata ou mística, mas como um fenômeno profundamente enraizado em infraestruturas físicas, disputas geopolíticas e modelos de acumulação capitalista.
A IA é sustentada por uma infraestrutura física massiva. Os data centers são descritos como os “grandes armazéns de dados” do século XXI, compondo a base material da economia informacional. Essa infraestrutura não é apenas técnica, mas expressa a necessidade de uma economia dependente da extração e análise constantes de dados.
A “dataficação” é caracterizada como a conversão do cotidiano e de todos os movimentos dos sujeitos em matéria-prima capturada privadamente para ser convertida em fonte de lucro. O “dataísmo” sofre crítica por sua crença ideológica de que os dados seriam “naturais” ou frutos puros da realidade e, em quantidade suficiente, poderiam explicar tudo.
O mercado de infraestrutura (nuvem), essencial para o treinamento de modelos de IA, é marcado por uma extrema concentração econômica. Apenas duas empresas norte-americanas, Amazon (AWS) e Microsoft (Azure), detêm mais de 60% do mercado mundial de serviços de infraestrutura em nuvem pública (IaaS). Essa concentração reforça o poder dessas Big Techs como mediadoras da tecnologia em todo o planeta.
O livro propõe “secularizar a IA”, retirando-a de seu status ideológico de “máquina inteligente”. Em vez de cognição alienígena, a IA deve ser entendida como um instrumento de ampliação do conhecimento, capaz de ajudar a perceber padrões em vastos espaços de dados.
Ela representa um salto no processo de mecanização e automatização da razão. É uma linha de montagem composta por três elementos: dados (treinamento), algoritmos (aprendizagem) e modelos (representação estatística).
Porém, a dependência tecnológica cria um cenário de colonialismo digital, em que países........
