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Democracia liberal e o impacto político da Inteligência Artificial

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No livro What Happened to Liberal Democracy? Remaking a Politics of Shared Prosperity, lançado em agosto de 2026, o economista e prêmio Nobel Daron Acemoglu investiga a crise das democracias liberais sob a ótica de a democracia e a liberdade política serem indissociáveis do liberalismo. Ele se posiciona em uma vertente liberal focada na “não dominação”, associada à social-democracia. 

Segundo seu argumento, sem segurança econômica e proteção contra atores privados predatórios, os cidadãos não podem ser verdadeiramente livres para inovarem e progredirem. Vou resenhar a análise de Acemoglu sobre as fraturas do sistema atual e as soluções propostas por ele.

Ele identifica a atual instabilidade democrática e a ascensão do populismo (tanto de esquerda quanto de direita) não decorrerem apenas de dilemas filosóficos, mas de profundas transformações materiais e tecnológicas, provocadoras de fraturas na democracia liberal.

O colapso do pacto industrial foi decisivo. A âncora política das nações ricas no século XX era baseada em industrialização em massa, crescimento econômico, sindicatos fortes e salários elevados. A desindustrialização, a ofensiva contra os sindicatos e a queda dos salários relativos dos trabalhadores menos escolarizados destruíram essa base de estabilidade.

A divisão de classes e valores se agravou. A expansão das universidades criou uma ampla classe de graduados com valores muito diferentes daqueles da classe trabalhadora tradicional. Isso fragmentou a antiga coalizão política entre a elite acadêmica liberal e os trabalhadores com costumes mais conservadores.

Outro fenômeno foi a guerra cultural e identitária. A nova política cultural de esquerda (focada em raça e gênero, característica do período “Woke 1“) entrou em choque direto com o identitarismo de direita. Em vez de focar na desigualdade econômica, o debate público foi capturado por disputas de status moral, baseada em cor e gênero, além de políticas de cotas para admissões em universidades de elite, aprofundando o ressentimento da classe trabalhadora comum.

A elite da tecnologia e os algoritmos, como será aprofundado mais adiante, constituíram outra inovação disruptiva. A ascensão do setor tecnológico trouxe atitudes sociais elitistas e antidemocráticas. O impacto mais nocivo, contudo, reside nos algoritmos de redes sociais, porque polarizam a informação, e na ascensão de........

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