O tamanho do problema ou o risco que corremos com Flávio Bolsonaro
Em agosto, na Bolívia, uma figura sinistra da extrema direita latino-americana foi presa por violência doméstica e tentativa de feminicídio contra a ex-companheira. Fernando Cerimedo (o mesmo que, em novembro de 2022, fez a live para 400 mil pessoas vendendo a “fraude” na vitória de Lula), um tecno-capanga ascendente no cenário da extrema direita digital, é acusado de ter contratado os pistoleiros que atiraram nela. Na esteira, tentou deixar o país e foi preso no aeroporto pelo Estado boliviano. Como continuidade, a ex-companheira “sobrevivida” passou a mostrar que Cerimedo era parte de um esquema de agressão à soberania dos povos latino-americanos e não apenas um capanga digital. O esquema montado por Cerimedo não era novo. Fazendas de likes (centenas de celulares e de contas falsas operados em espaços pequenos para inflar curtidas, seguidores e visualizações, montando estruturas de influência externa nos fluxos de dados) ficaram conhecidas do público depois de 2013 e 2014. A ideia de usar “robôs” para influenciar os algoritmos nasceu nos EUA como filosofia da CIA para mobilizar pessoas a atacar regimes que não lhes eram favoráveis no mundo todo. Do Egito à Europa, do Brasil aos países muçulmanos, era o governo Obama quem usava essa forma de “hackear” democracias.
Havia, contudo, três grandes problemas nessa fórmula: primeiro, essas “fazendas de likes” operavam normalmente a partir do leste asiático e custavam caro, deixavam rastros e se tinha pouco controle sobre seus efeitos. Na época, inclusive, qualquer um poderia “comprar seguidores” (e muito disso foi usado por grandes influencers de hoje); bastava o envio das quantidades de dólares e confiar na entrega digital. A chance de golpe era de 50%, mas houve quem conseguiu ampliar seus ganhos e suas redes a partir dessa prática. O segundo problema era o controle das próprias bigtechs. Comprar seguidores ou conseguir impulsionamento sem pagar a plataforma (seja da Meta, do YouTube ou qualquer outra) era dar efetivo prejuízo para essas empresas. As bigtechs passaram a criar meios para detectar e eliminar essas ingerências externas sobre seus fluxos de dados. Um vídeo no YouTube, por exemplo, poderia........
