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O ofício que não pediram. Por quê?

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02.09.2026

Entre julho e novembro de 1932 o partido nazista perdeu votos. Caiu de 37,3% para 33,1%, elegeu trinta e quatro deputados a menos, e havia gente em Berlim comemorando o fim da febre. Dois meses depois Hitler era chanceler. Não venceram uma eleição: venceram um arranjo, feito por conservadores que se julgavam espertos o bastante para usar o monstro e devolvê-lo à jaula depois do serviço. A urna, ali, foi detalhe administrativo. O que importou foi que as instituições alemãs já estavam ocas por dentro havia anos, roídas por decreto de emergência, por tribunal complacente e por uma imprensa que achou tudo aquilo muito interessante enquanto atingia os outros.

Guarde isto, porque é o mecanismo do que estamos vendo no Brasil.

Ao fascismo não interessa ganhar eleição. Interessa que a eleição deixe de significar coisa alguma. E é por isto que uma campanha presidencial brasileira em 2026 não é, em realidade, uma disputa entre dois projetos de país. É uma consulta sobre a permanência da própria democracia. Quem viveu 2019 a 2022 não precisa de aula sobre o que estava sendo tentado, nem sobre quem o tentava, e a paciência com o eufemismo já deveria ter acabado faz tempo.

Alexandre de Moraes atravessou aquilo no meio do caminho. Prendeu militares golpistas — e a frase, dita assim, deveria constar de todo livro didático dos próximos cem anos, porque nenhum ministro brasileiro tinha feito isto antes. Impediu que a eleição fosse roubada no atacado. Tentou, e ainda tenta, submeter as plataformas americanas ao direito brasileiro, o que no vocabulário do Vale do Silício é aproximadamente o mesmo que blasfêmia. E disse não a Trump numa hora em que quase todo mundo dizia sim de olhos baixos. Colecionou, com isto, um conjunto de inimigos que não é só grande para os padrões de um ministro do Supremo: é grande para os padrões de um Estado nacional inteiro.

Homem nenhum sai ileso de um currículo desses. E também não fica acima de investigação —........

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