Já se pode afirmar o sucesso da ingerência dos EUA nas eleições brasileiras
Democracias, diz a teoria, são o governo de muitos. Diferente de regimes ditatoriais em que todas as instâncias do Estado estão submetidas às decisões diretas ou influência imediata de um ou um conjunto de poucas pessoas ligadas a uma liderança sem legitimidade democrática, nas democracias há um padrão complexo e interconectado de decisões e de responsabilidades. Essa fragmentação não apenas de quem detém o poder, mas de quem aplica os diversos poderes da república é – em sentido teórico – uma garantia contra o arbítrio.
Se muitos operam os poderes, muitos são também os pontos de pressão que podem ser aplicados quando há interesse em decisões diferentes daquelas que o tomador de decisão – deixado sem pressão – tomaria. Se Nunes Marques fosse deixado apenas com sua consciência ele teria desempatado o julgamento dos precatórios das indústrias açucareiras em favor do Banco Master? Nunca saberemos, mas certamente ter um contrato de 427 milhões assinado com interlocutores próximos geram 427 milhões de razões novas para o voto em favor de Vorcaro. E razões eloquentes.
O mesmo pensamento acontece em todo sujeito que opera o poder público. Cada decisão (de fazer ou deixar de fazer algo) pode ser alvo de pressões externas. Tomemos a ABIN, por exemplo, criada em 1999 para ser uma espécie de “inteligência civil” (em oposição ao famigerado SNI de Golbery e Figueiredo) a agência nunca conseguiu se livrar da tutela militar. Seja porque estava submetida ao inútil GSI ou porque tem........
