Paris não foi uma festa: China colocou os EUA sob escrutínio
Para além da versão oficial sobre as recentes conversas comerciais, Pequim considerou que houve apenas um “consenso preliminar sobre certos assuntos”, apresentou “sérias queixas” a Washington e expôs sua posição sobre o adiamento da cúpula Xi-Trump.
Quando as delegações da China e dos Estados Unidos se sentaram à mesa em Paris, os comunicados oficiais falaram em diálogos “francos, profundos e construtivos”. As qualificações, um clássico do jargão diplomático, sugeriam que tudo esteve sob controle durante o encontro de dois velhos parceiros de negócios. Mas, nas entrelinhas, nos corredores e sobretudo nas declarações posteriores, surgiu outro enredo: o de um parceiro comercial que já não se contenta em ser mero espectador.
Porque, se algo ficou claro nas reuniões de 15 e 16 de março na capital francesa — a sexta rodada de consultas econômicas e comerciais bilaterais desde maio do ano passado — é que Pequim decidiu levar sua própria calculadora e deixar de confiar nos números desenhados em Washington.
O vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng chegou a Paris com um roteiro que seus interlocutores americanos — o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante comercial, Jamieson Greer — certamente conheciam de memória. A China valoriza o diálogo e respeita a “orientação estratégica” acordada nas reuniões anteriores entre Xi Jinping e Donald Trump. Mas também tem memória, tão vasta quanto seu território.
E a memória, neste caso, registra que a Suprema Corte dos EUA declarou ilegais as tarifas que Donald Trump impôs invocando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Registra que, apesar disso, Washington aplicou uma sobretaxa adicional de 10% às importações de todos os seus parceiros comerciais sob a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. E registra, sobretudo, que os Estados Unidos lançaram investigações com base na........
