O elo perdido do voto na China
A senhora Li tirou seu velho celular da bolsa e mostrou a foto de sua bicicleta elétrica. “Não posso carregar a bateria”, disse. Ninguém a contradisse: em Minzhu Village, um bairro de Chongqing, todos sabiam que as estações de recarga comunitária ficavam longe demais. Mas a reclamação individual abriu espaço para outras. Meia hora depois, os vizinhos discutiam sobre carregadores mal posicionados, luzes que não iluminavam e contêineres de lixo que ninguém queria perto de casa. Essa é a dinâmica das “assembleias de pátio”, a base do que a China chama de democracia popular de todo o processo.
Nesse esquema, as assembleias de pátio funcionam com debates e votações que qualquer militante, membro de ONG ou cidadão de um país ocidental reconheceria. Ali, os moradores definem questões que impactam sua vida cotidiana, com a sensação de que o que dizem, ao menos em teoria, importa.
Em Minzhu Village, a secretária do Partido e, ao mesmo tempo, diretora do comitê de bairro, Wu Chengli, transformou essas assembleias em rotina. Desde 2021, quando foi lançado um programa nacional de renovação urbana, Wu convocou dezenas de encontros nos quais os moradores propõem e acompanham melhorias.
O mecanismo principal se chama “Caixa de Correio nº 1”. Inicialmente, era uma caixa de madeira para que operários de uma fábrica enviassem sugestões à direção. Hoje, é um sistema híbrido, em papel e digital, que já recebeu milhares de propostas. A maioria é pequena. Algumas transformaram o bairro. Outras ficaram pelo caminho.
“Como é um assunto de todos,........
