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O samurai e o jornalista

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25.07.2026

No dia 25 de novembro de 1970, o escritor Yukio Mishima e outros quatro membros da milícia Tatenokai (sociedade do escudo) invadiram o quartel de Ichigaya, em Toquio, e fizeram um refém: o comandante, Kanetoshi Mashita. Começou assim um dos acontecimentos mais dolorosos, traumáticos e incompreensíveis da história literária e política do país do sol nascente.

A Tatenokai, fundada por Yukio Mishima em 1968, era um grupo nacionalista que se opunha ao que entendia como ocidentalização indevida, ou seja, o parlamentarismo nos moldes da democracia liberal, e lutava para restaurar os valores tradicionais, com o poder absoluto centralizado na figura divina imperador. Ao tomar o quartel em Tóquio, os cinco militantes estavam dispostos a vencer ou morrer.

Ameaçando matar o refém, ordenaram que os soldados fossem reunidos no pátio para ouvir o pronunciamento de seu líder. O famoso autor japonês, que quatro meses antes tinha sido capa da revista dominical do New York Times Magazine, tentou discursar e convencer a tropa a desferir um golpe de Estado, mas foi um fiasco. Suas palavras receberam vaias, sinais de descrença e de desprezo.

Diante do fracasso, Yukio Mishima, praticante devotado das artes marciais japonesas, cometeu o seppuku (ou harakiri). Tinha 45 anos de idade. Com os joelhos no chão, sentado sobre os........

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