Duas transparências
A imprensa cumpre seu papel quando dá transparência a paredes que os poderosos gostariam de manter opacas. Manchete de anteontem no jornal O Estado de S. Paulo: “Fazenda de São Paulo pagou, em um mês, R$ 111 milhões em penduricalhos”. A reportagem de Felipe de Paula e Fausto Macedo abriu a planilha para o público, ou seja, tornou transparentes os tapumes que a escondiam. Um auditor sozinho recebeu 513 mil reais. Líquidos. Num único mês. E este é a penas um dos muitos absurdos que se tornaram visíveis.
Também anteontem, um dos editoriais do no jornal O Estado de S. Paulo, “Inação ante os supersalários”, deu visibilidade a outro fator deprimente: “Congresso mantém parado desde 2023 projeto que limita abusos no serviço público, enquanto avança com rapidez em propostas que ampliam benefícios e revela resistência a enfrentar privilégios”. As informações, detalhadas e precisas, foram apuradas pela reportagem deste matutino. De novo, ponto para o jornalismo e ponto para a transparência.
Fora isso, é bom tomar cuidado com a palavra. Há malversações de sentido em torno dela. Basta ver que os mesmos agentes que viabilizam os penduricalhos também se declaram campeões da transparência. Não podem ver um microfone na frente que já começam a escandir o substantivo feminino mais amado da temporada.
Sim, é uma contradição. A transparência aberta pelo bom jornalismo os constrange,........
