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A Copa terminou; em outubro, vamos escolher o Brasil que queremos

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25.07.2026

Com o fim da Copa do Mundo, inicia-se a contagem regressiva para as eleições de outubro. Durante pouco mais de um mês, o futebol monopolizou atenções e paixões, inclusive daqueles que se ligam nesse esporte somente em tempos de Copa. Agora, encerrado o espetáculo esportivo, o jogo político volta naturalmente ao centro do debate nacional. Essa edição do Mundial será lembrada por um contraste permanente entre o encanto proporcionado pelo futebol e as profundas distorções e mazelas que cercam sua organização. Ao mesmo tempo em que milhões de torcedores testemunharam uma das edições mais disputadas da história, o torneio revelou como interesses geopolíticos, comerciais e institucionais podem atropelar os princípios mais elementares do esporte.

Não faltaram situações que colocaram em dúvida a credibilidade da competição em razão da agressiva lógica de mercado que orientou sua organização. O ambiente internacional tensionado por forte instabilidade refletiu-se diretamente nos bastidores. Seleções sob constante embate geopolítico sofreram severas restrições migratórias e burocráticas impostas pelos EUA. O caso do Irã foi uma entre tantas situações discriminatórias desse mundial. Esse tipo de tratamento demonstrou a inclinação oportunista da FIFA por não assegurar a isonomia e igualdade de condições entre todas as suas federações filiadas, dividindo as delegações entre as que gozaram de livre trânsito global e as que foram tratadas sob suspeita.

A busca desenfreada por lucratividade, refletida nos preços proibitivos dos ingressos, elitizou o evento e afastou grande parte do público dos estádios. Como consequência, o espetáculo popular converteu-se em um privilégio reservado à parcela da população com maior poder aquisitivo. Embora o futebol moderno tenha sido organizado pela elite inglesa do século XIX, foi a apropriação do esporte pela classe trabalhadora que o transformou no fenômeno cultural mais popular do planeta. Ao dificultar o acesso aos estádios por meio de ingressos excessivamente caros, a FIFA e seus parceiros comerciais resgataram um caráter excludente que a própria história do futebol havia superado. 

Nesse ambiente seletivo, as situações de discriminação racial não se limitaram às manifestações hostis dirigidas às seleções africanas, que repercutiram internacionalmente sem uma resposta firme da FIFA. O clima de intolerância também atingiu individualmente atletas negros.Após a vitória da França sobre o Paraguai, o atacante francês Kylian Mbappé foi alvo de um ataque racista da senadora paraguaia Celeste Amarilla, que publicou ofensas de cunho racial e questionou sua identidade nacional. Ao contrário da FIFA, Mbappé repudiou o episódio, classificando a parlamentar como “indigna do cargo” e afirmando que jamais permitirá que pessoas como ela disseminem ódio e racismo pelo mundo. Sua postura reafirmou o compromisso que vem assumindo ao longo da carreira no enfrentamento ao racismo e a toda forma de discriminação.

Outra distorção marcante foi a vergonhosa submissão da federação às exigências norte-americanas. A polêmica revisão da pena do atacante Folarin Balogun ocorrida após interferência direta de Donald Trump provocou forte repúdio e acusações de ingerência sobre a autonomia dos órgãos disciplinares da entidade.  Esse alinhamento atingiu o suprassumo da bizarrice quando a FIFA concedeu a Trump o “Prêmio da Paz FIFA”. Como resposta a esse conjunto de situações, marcadas pelas posturas questionáveis da FIFA e pelas interferências de Donald Trump, o público manifestou sua insatisfação durante a cerimônia de encerramento da Copa, com sonoras vaias dirigidas ao presidente dos Estados Unidos e ao presidente da FIFA, Gianni Infantino.

Contudo, apesar das distorções que marcaram a organização do torneio, seria injusto reduzir a Copa apenas às suas controvérsias políticas. Dentro de campo, o futebol reafirmou sua capacidade única de desafiar desigualdades e revelar histórias de superação. A expansão para 48 seleções abriu espaço para campanhas históricas protagonizadas por nações de menor expressão econômica. Países como a República Democrática do Congo, Haiti e Cabo Verde protagonizaram momentos emocionantes de superação e encanto, demonstrando a garra de povos que encontram no futebol um canal de afirmação.

Entre os nomes que........

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