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A captura do Congresso pelo embuste do bolsonarismo e pelo fisiologismo do Centrão

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23.05.2026

A degradação de alguns segmentos da política brasileira não ocorreu por acaso. Ela foi sendo construída ao longo dos últimos anos por meio da corrosão deliberada da representação legislativa, do fisiologismo pernicioso e da transformação do mandato parlamentar em instrumento de negócios privados e guerra ideológica. O que deveria ser espaço de representação popular converteu-se, em larga medida, num feudo de interesses capturado por setores do Centrão oportunista e da extrema direita bolsonarista, cuja lógica política gira menos em torno do interesse nacional e mais da autopreservação do poder e do dinheiro.

A herança maldita deixada pelos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, ao empoderar o Congresso por meio do sequestro progressivo do orçamento público, alimentou uma avalanche de parlamentares inescrupulosos do Centrão fisiológico e da extrema direita. Consolidou-se um modelo político baseado na chantagem institucional, no rateio de verbas públicas e no fortalecimento de currais eleitorais sustentados por envios de emendas sem a devida transparência.

O Congresso Nacional, atualmente dominado por esses mesmos setores políticos eleitos em massa no auge da onda bolsonarista, transformou-se num ambiente permanente de embates marcados pela desinformação, pela defesa absoluta das poderosas bancadas aglutinadas no parlamento, pela defesa de pautas ultraliberais em detrimento das necessidades da maioria da população brasileira, pela agressividade verbal, pela autopromoção digital, pelo oportunismo. Nesse cenário, parlamentares progressistas muitos deles preparados, conhecedores dos problemas estruturais do país e defensores de pautas sociais relevantes enfrentam enormes dificuldades para estabelecer um debate qualificado diante de discursos radicalizados, rasos e frequentemente sustentados por ataques, fake news e encenações midiáticas voltadas às redes sociais. 

A deterioração do nível político e institucional do Legislativo fica evidente quando a lógica do espetáculo e dos interesses eleitorais passa a prevalecer sobre o compromisso com o interesse público. A recente derrubada de trechos cruciais dos vetos do presidente Lula à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 evidencia de modo inequívoco esse processo de degradação. A articulação conduzida pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para flexibilizar restrições à transferência de recursos públicos em período pré-eleitoral foi interpretada por amplos setores como uma manobra de natureza essencialmente eleitoreira. Na prática, abre-se espaço para que prefeitos e governadores aliados sejam irrigados com verbas e benefícios públicos às vésperas das eleições, enfraquecendo mecanismos mínimos de responsabilidade fiscal e comprometendo a isonomia do processo eleitoral. O objetivo está centrado na ampliação do poder político e eleitoral utilizando o Estado como instrumento de barganha.

Centrão e extrema direita transformaram o voto em commodity política. O caso envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que terceirizou seu mandato em favor dos atuais investigados por ilicitudes financeiras, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o dono da Refit, empresário Ricardo Magro, alvo da Operação Sem Refino por fraudes bilionárias, tornou-se símbolo desse modelo promíscuo de poder. As investigações e revelações sobre transferências milionárias da Refit para empresas ligadas à família do senador evidenciam como parte significativa dessa elite parlamentar opera em estreita sintonia com interesses empresariais e financeiros. O mandato deixa de representar o eleitor para servir como extensão de grupos econômicos, instituições financeiras e operadores de influência.........

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