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“Se a Rede Globo for a favor, somos contra. Se for contra, somos a favor”

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05.09.2026

Nesta semana, seguindo o pernicioso estilo lavajatista, o ministro André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro após atuar como seu devoto ministro da Justiça, resolveu operar com uma presteza calculada ao levantar o sigilo das investigações da PF que contém mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes, alvo predileto da ira bolsonarista por ter sido relator da Ação Penal 2668, que culminou na condenação do ex-presidente. As investidas de Mendonça passam longe de ser um repentino e desinteressado surto de transparência, atitude que não teve em relação a si mesmo. Vale destacar que Mendonça também esteve com Vorcaro, compartilhando um diálogo privado por cerca de duas horas em março de 2025, no seu Instituto Iter, conforme apuração exclusiva da newsletter Noites Húngaras, do jornalista investigativo Paulo Motoryn. Os movimentos indevidos de Mendonça ao longo dessa semana indicam mais de 50 tons de conveniência político-eleitoral para tumultuar a corrida presidencial, além de não restar dúvida sobre a gravidade de sua postura como julgador e investigador ao mesmo tempo. Curiosamente, a mesma mão vigorosa do ministro que expõe de forma cirúrgica os bastidores de alguns personagens e autoriza buscas e apreensões contra outros alvos envolvidos no Caso Master não levanta o sigilo do Caso Dark Horse, capítulo obscuro da mesma trama que ameaça desvelar o destino da soma cada vez mais vultosa fornecida a Flávio Bolsonaro pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Nesse horizonte, o impacto da referida suspensão de sigilo tomou conta tanto da mídia corporativa quanto da mídia independente. É inquestionável a diferença abissal na cobertura e nos comentários realizados pelos jornalistas das duas. A mídia patrocinada chega a ditar peremptoriamente o que o Presidente do Supremo Tribunal Federal deve fazer diante da grave crise instalada por Mendonça no STF, enquanto os veículos da mídia independente, sobretudo os consagrados pela seriedade, confiabilidade e responsabilidade social, estão analisando os fatos com ética, isenção e postura analítica, levando em conta todas as variáveis dos fatos, sem impor direcionamentos à instituição sob os holofotes.

Considerando essas posturas tão distintas e diante do limiar complexo que definirá os destinos do país, torna-se essencial compreender o movimento das peças desse jogo, distribuídas por interesses de toda ordem, tanto no plano interno quanto no externo, movimento que se intensifica quando falta pouco para os brasileiros irem às urnas decidir quem representará suas expectativas na Presidência da República, no Congresso Nacional e nos poderes Executivo e Legislativo de cada unidade da Federação. Em uma democracia, essa escolha deveria resultar do confronto mais amplo e honesto possível entre projetos de país. A democracia não se resume ao momento em que o eleitor deposita o voto. Antes disso, trava-se uma batalha decisiva pelo direito de informar, de interpretar os acontecimentos e, sobretudo, de definir o que será visto, o que será escondido e a maneira como cada fato chegará ao cidadão.

Em um polo, milhares de brasileiros de diferentes realidades socioeconômicas, entre estes, a maioria que acorda cedo, que pega mais de um transporte lotado, que cumpre jornadas exaustivas e, ao retornar para casa, assume outra jornada de trabalho doméstico e de cuidado com a família, decidirão quem ocupará a Presidência da República, o Congresso, os governos e os legislativos estaduais. São milhões cuja vida é diretamente afetada pelas decisões tomadas nesses poderes. Em outro polo, persistem os interesses de uma minoria minúscula de 1% que, desde a colonização, concentra riqueza, privilégios e capacidade de interferir nos rumos do Estado. A desigualdade de poder não se manifesta apenas na distribuição da renda, manifesta-se também na capacidade de produzir e difundir ideias. É nesse terreno que a mídia corporativa........

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