Trump quer reativar a Operação Condor
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro não precisa se preocupar em “abrir o portão” e fazer as honras da casa para a invasão estadunidense no país. Eles não chegarão aqui nos jogando drones com explosivos ou mísseis direcionados para os navios da Baía da Guanabara, como pediu Flávio Bolsonaro. Agora os EUA entram, abrem a geladeira, se servem e os invadidos ainda perguntam se estão satisfeitos ou se desejam mais uma rodada de guloseimas.
Ao contrário do que aconteceu no século XX, quando escamoteavam e fingiam não ter nada a ver com o “peixe” das ditaduras que ajudaram a fundar na região, agora agem livremente, às escâncaras, convidando a todos abertamente para formar uma nova “Operação Condor”, uma cooperativa de “matadores de subversivos” como a que existiu em meados dos anos de 1970. A desculpa, é o “narcoterrorismo” – termo cunhado por Donald Trump, para ser usado contra os países a quem deseja explorar.
Foi assim na Argentina, (com salamaleques de Milei), foi assim na Venezuela, onde entraram, levaram o dirigente e tudo ficou por isso mesmo, pelo bem e a paz da Nação, como já explicou a dirigente Nelcy Rodrigues. Quanto ao Brasil, já está na mira – com a forcinha dos irmãos Bolsonaro -, mas o plano é comer pelas beiradas, baixando tarifaços e forçando a barra para minar a nossa economia e, se possível, as eleições.
No dia 10 de julho, o portal G1 publicou matéria anunciando que o Brasil era um dos 60 países convidados pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, para debater em Washington o suposto ‘ressurgimento do terrorismo transnacional de esquerda’. Um eufemismo para a reimplantação da repressão indiscriminada.
A cúpula secreta em Washington recebeu o título de “Reunião Ministerial sobre o Ressurgimento do Terrorismo Político” e, em seu discurso, Rubio procurou alimentar fantasmas do passado, misturando alhos com bugalhos, como citar as “Brigadas Vermelhas”, da Itália, ao lado dos “Tupamaros”, do Uruguai, e os “Montoneros”, da Argentina. Uma salada de facções extintas, para tentar assoprar a brasa da mão pesada da repressão, como nos velhos tempos.
Para os que quiserem entender com todas as letras e tintas o que foi a “Operação Condor”, há uma definição bem-comportada:
“Em 1975, as ditaduras sul-americanas decidiram oficializar o que o Brasil já fazia havia quase uma década com a colaboração desses mesmos países: uma rede transnacional de troca de informações e de perseguição aos inimigos políticos, apoiada em ilegalidades jurídicas, abuso de poder, espionagem, quebra de soberania diplomática, desrespeito às fronteiras, sequestros, prisões, torturas, desaparecimentos e assassinatos. O terrorismo de Estado idealizado e montado pelo Brasil era batizado com o nome “Condor”. Para a ditadura brasileira, foi um alívio. Pinochet ficava com a culpa”.
A descrição é do jornalista e pesquisador Wagner Wilhiam, (O soldado absoluto: uma biografia do Marechal Henrique Lott” (Record, 2005) e Uma Mulher vestida de silêncio: a biografia de Maria Thereza Goulart (Record, 2019), que prepara “O Primeiro Voo do Condor”, seu próximo livro,........
