A CPI do espetáculo: quando a investigação dá lugar à lacração
A política brasileira vive um momento de profunda regressão institucional que me causa não apenas preocupação, mas um verdadeiro sentimento de repulsa. Como alguém que exerceu dois mandatos de deputado federal na década de 90 e participou ativamente de CPIs históricas — como a que resultou no impeachment de Collor —, vejo com tristeza o abismo que separa o Parlamento de ontem do atual.
Naquela época, havia um respeito sagrado pelo rito e pela lei, independentemente da coloração ideológica. Hoje, o que assistimos na CPI do INSS é a degradação da função parlamentar em prol do engajamento digital e da desinformação.
O que se vê no Congresso Nacional atualmente é, sem dúvida, a pior composição da sua história. Deputados e senadores parecem ter esquecido que o papel de uma comissão de inquérito é buscar a verdade real através de provas robustas. Em vez disso, transformaram o plenário em um palco de "lacração".
A figura do relator da CPI do INSS, por exemplo, é a personificação dessa decadência. Com seus trejeitos e postura, ele mimetiza perfeitamente o personagem João Plenário, do programa "A Praça é Nossa". É uma caricatura........
