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Colonialismo e migração na Copa do Mundo de 2026

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23.06.2026

As antigas rotas imperiais e o mercado global de jogadores ajudam a explicar por que seleções historicamente fora do grupo dominante do futebol mundial desafiam cada vez mais as potências tradicionais na Copa de 2026..

Os resultados da Copa do Mundo de 2026 vêm produzindo uma sequência de partidas equilibradas que desafiam antigas certezas sobre a geografia do futebol mundial. O empate do Brasil com Marrocos, o empate da Holanda com o Japão, os empates da Bélgica com Egito e Irã, o empate da Espanha com Cabo Verde, os empates do Uruguai com a Arábia Saudita e com Cabo Verde, além do empate de Portugal com a República Democrática do Congo, revelam um fenômeno que vai muito além do acaso ou das chamadas zebras.

O futebol mundial está mudando. E compreender essa transformação exige olhar para dois processos históricos de longa duração: o legado do colonialismo europeu e a globalização do mercado internacional de jogadores.

Durante boa parte do século XX, o mapa do futebol mundial guardava alguma correspondência com a distribuição internacional do poder econômico, político e institucional. As principais seleções estavam concentradas em países que ocupavam posições centrais ou privilegiadas na economia mundial — como Inglaterra, Alemanha, Itália, Argentina e Uruguai. Este último, apesar de seu pequeno tamanho, figurava entre os países mais ricos do mundo nas primeiras décadas do século XX, razão pela qual era conhecido como a “Suíça da América”.

Essa correspondência, porém, nunca foi mecânica. O Brasil, por exemplo, construiu uma das maiores tradições futebolísticas do planeta sem jamais integrar o grupo das economias mais desenvolvidas. A novidade do século XXI é que a globalização do mercado de jogadores, associada às migrações internacionais e às heranças do colonialismo, vem reduzindo a distância que separava as potências tradicionais de seleções que permaneceram durante décadas fora do grupo dominante do futebol mundial

Uma circulação em duas direções

O fortalecimento das seleções que permaneceram durante décadas fora do grupo dominante do futebol mundial não pode ser explicado apenas pela exportação de jogadores para os grandes clubes europeus. O fenômeno é mais complexo e envolve uma circulação de talentos em duas direções.

De um lado, países da África, da América Latina e da Ásia tornaram-se grandes exportadores de jogadores para os centros do futebol mundial. Brasil, Argentina, Senegal, Marrocos, Equador, Colômbia, Japão e Coreia do Sul figuram entre os países que formam atletas cada vez mais valorizados pelos grandes clubes da Europa. Os centros financeiros do futebol concentram os recursos, as receitas de televisão, os contratos de patrocínio e os campeonatos mais prestigiados, enquanto uma parcela crescente do talento é produzida fora deles.

O próprio Brasil ocupa posição singular nesse sistema. Embora possua um dos campeonatos nacionais mais fortes do planeta, continua sendo um dos maiores exportadores de jogadores do mundo. Neymar Jr., principal referência da geração anterior e durante anos o rosto do futebol brasileiro no exterior, construiu sua carreira internacional entre Espanha, França e Arábia Saudita. Vinícius Júnior e Rodrygo consolidaram-se no Real Madrid. Raphinha tornou-se protagonista do Barcelona. Alisson e Ederson figuram entre os goleiros mais valorizados do futebol europeu. Bruno Guimarães transformou-se em peça-chave da Premier League. A seleção brasileira continua sendo........

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