Pelo fim da escala 6x1: autocuidado, tempo de vida e o desafio civilizatório
A própria Constituição Federal de 1988 estabelece, em seu artigo 1º, inciso III, a dignidade da pessoa humana como fundamento da República. Não se trata de uma formulação retórica, mas de um princípio estruturante da ordem jurídica e social brasileira. A dignidade humana pressupõe condições materiais e simbólicas para que cada pessoa possa desenvolver plenamente sua vida, exercer direitos, participar da comunidade e cuidar de si. Uma organização do trabalho que impõe exaustão permanente e restringe o tempo de vida colide frontalmente com esse princípio constitucional.
Em artigo anterior, argumentei que a manutenção da escala 6x1 — seis dias de trabalho para apenas um de descanso — compromete não apenas a saúde física e mental dos trabalhadores, mas também a vida familiar, a convivência comunitária e a participação cidadã. Uma sociedade que naturaliza o esgotamento como condição permanente de existência está, na prática, institucionalizando a desumanização.
A defesa da escala 5x2 não é privilégio corporativo; é a afirmação do direito ao tempo de vida. Tempo para conviver, estudar, participar da comunidade, praticar esportes, cuidar da saúde, descansar e refletir. Tempo........
