Educação profissional no Brasil: o papel estratégico dos Institutos Federais (parte 2)
Uma análise das políticas de educação profissional no Brasil recente revela projetos em conflito, cada um representando diferentes concepções de Estado, trabalho e formação humana
A perspectiva gramsciana nos ajuda a entender que o “Estado educador” não age de forma neutra. Ele organiza e dissemina concepções de educação que mediam as relações entre os interesses do capital e as demandas das classes trabalhadoras. Nesse contexto, a educação profissional se torna um campo privilegiado para observar como essa mediação se estrutura. O Estado educador, portanto, é um instrumento de luta política. A classe dominante usa-o para manter a hegemonia, enquanto Gramsci propõe a disputa dessa função para construir uma nova hegemonia popular.
Durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), consolidou-se um projeto de educação profissional fortemente influenciado por organismos multilaterais, como o Banco Mundial. O Programa de Expansão da Educação Profissional (PROEP) e o Decreto nº 2.208/1997 materializaram uma visão baseada na formação por competências, na empregabilidade e na polivalência. A ideia era estruturar uma educação voltada ao “aprender a fazer”, priorizando habilidades gerais, as comunicacionais, as cognitivas e de resolução de problemas, que permitissem aos trabalhadores se adaptarem às........
