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Do fim das fábricas e o nascimento dos fundos de investimento: a financeirização de São Paulo e a metamorfose da burguesia brasileira

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06.08.2026

Da Lapa à Vila Anastácio, de Pirituba a Osasco, a ferrovia moldou um dos maiores corredores industriais da América Latina. Em torno dos trilhos instalaram-se indústrias têxteis, metalúrgicas, fábricas químicas, de vidro e de alimentos. Os bairros nestes territórios da cidade cresceram acompanhando o ritmo das fábricas, das oficinas ferroviárias e dos trabalhadores.

Ao longo de boa parte do século XX, bastava percorrer o eixo ferroviário entre a Lapa e Osasco para compreender por que São Paulo se tornou a maior potência econômica do Brasil. As chaminés, os galpões industriais, os pátios ferroviários e o intenso movimento de trabalhadores revelavam uma economia organizada em torno da produção e do trabalho fabril.

Nomes como Matarazzo, Cobrasma, Braseixos, Eternit, Santista Têxtil, Brown Boveri, Villares, Cimaf, Lonaflex entre outras eram referências geográficas que percorria a zona Oeste de São Paulo, formando um corredor com algumas das maiores indústrias do país. A ferrovia transportava matérias-primas, mercadorias e trabalhadores, conectando o interior paulista ao Porto de Santos e consolidando uma das regiões industriais mais importantes da América Latina. Não era apenas um conjunto de fábricas. Era um projeto de desenvolvimento iniciado no começo do século XX, conforme descrevem historiadores como o paulista Edgard Carone (1923–2003) um dos principais intelectuais brasileiros a mapear cientificamente a industrialização de São Paulo e o nascimento do movimento operário nacional. Em sua obra “A Evolução Industrial de São Paulo (1889-1930)” ele analisa o surto de desenvolvimento paulista desde a Proclamação da República até a Era Vargas.

Hoje, a paisagem é outra. Muitas fábricas desapareceram. Galpões industriais deram lugar a centros logísticos, supermercados, condomínios residenciais e edifícios corporativos. A verticalização imobiliária substituiu parte da atividade produtiva, enquanto a ferrovia perdeu protagonismo como eixo estruturador........

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