Da arquibancada à transmissão: a reinvenção televisiva da Copa do Mundo
Durante o século XX, os pensadores da chamada Escola de Frankfurt, especialmente Theodor Adorno e Max Horkheimer, já alertavam para os impactos daquilo que denominaram “indústria cultural”: a transformação da cultura em mercadoria padronizada, produzida em larga escala para consumo das massas. Décadas depois, em 1967, o filósofo francês Guy Debord radicalizaria essa interpretação ao afirmar que o próprio conjunto da vida social havia sido capturado pela lógica da representação e das imagens. Em A Sociedade do Espetáculo, Debord sustenta que as relações humanas passam a ser mediadas pelo consumo permanente de representações, transformando a realidade em espetáculo.
O futebol tornou-se espetáculo de massas. Por essa condição, evidentemente, ele não escaparia a essa lógica da espetacularização pelo capital. A Copa do Mundo contemporânea talvez seja uma das expressões mais acabadas daquilo que Debord identificou ainda nos anos 1960. O torneio já não pode ser compreendido apenas como uma competição esportiva. Trata-se de um acontecimento midiático global, planejado em detalhes para o consumo audiovisual em escala planetária.
Hoje, dezenas de câmeras espalhadas pela “arena” de jogo capturam cada movimento dos atletas, da comissão técnica e da torcida. A própria ideia de “estádio” parece insuficiente para definir os espaços do futebol moderno.........
