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Governar à moda de Olhão em Faro é que não

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25.09.2026

Escrevo este texto na condição de farense e de democrata-cristão porque há momentos na vida pública em que o silêncio se torna cumplicidade. Não invoco cargos partidários nem títulos profissionais, pois a legitimidade desta intervenção não deriva de posições institucionais, mas do dever ético de defender a cidade onde vivo e crio os meus filhos.

Há momentos em política em que uma votação vale mais do que o resultado dessa mesma votação.

O que se testemunhou na reunião de Câmara de 21 de setembro ultrapassa em muito a mera discussão técnica sobre uma operação de crédito de 10 milhões de euros. Estamos perante um sintoma claríssimo de patologia democrática e perante a recusa obstinada do executivo socialista em aceitar a falta de hegemonia.

A proposta do executivo socialista para substituir um empréstimo de cerca de 16 milhões de euros por um novo financiamento na ordem dos 10 milhões foi rejeitada pela oposição, que tem hoje mais peso do que o próprio executivo. O presidente António Pina procurou refugiar-se em justificações operacionais para o chumbo da sua proposta, mas a análise política começa onde termina a retórica «desculpabilizadora».

Esta é a fotografia factual.

Mas a política começa precisamente depois da fotografia.

Não há qualquer anormalidade política quando um presidente não dispõe de maioria absoluta. É o resultado das eleições. É a consequência da vontade de quem vota. E, numa democracia representativa, os resultados eleitorais não servem apenas para escolher quem governa.

Ficar em minoria numa autarquia não constitui um acidente de percurso ou uma anomalia do sistema; representa, antes, a expressão soberana da vontade popular. Num ecossistema democrático saudável, a maioria absoluta permite aprovar, mas a minoria obriga a convencer.

Convencer exige a humildade intelectual de reconhecer que o contraditório não é um desacato e que a negociação institucional é uma demonstração de maturidade, nunca de fraqueza.

O drama........

© Barlavento