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Voluntariado verde num território queimado

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26.03.2026

Sem ligação aparente a este incentivo, várias iniciativas locais visam a reflorestação do Parque Natural do Alvão (PNA) e no terreno os voluntários prontamente respondem ao apelo e dão uma mão verde ao território assolado pelos terríveis incêndios florestais do verão passado. O desafio é gigante, as mãos a medir por mais vontade que tenham podem ser insuficientes, mas o que se vê é a vontade de fazer a diferença, fazer pelo ambiente, fazer pelo futuro. Neste cenário destacam-se atividades ambientais que se desenvolvem no PNA há mais de uma década, os primeiros que ultrapassaram dificuldades para a implementação destas atividades no território e que se desdobraram em contactos com as comunidades locais e com as entidades que gerem o PNA com o intuito de criar parceiros que entendessem que o voluntariado ambiental é uma grande ajuda para melhorar a floresta.

Atualmente, na onda da solidariedade movidos pelo voluntariado, novas entidades aproveitam para deitar uma mão verde no mesmo território, agora facilitado pela catástrofe que atalha na burocracia das autorizações, pois o objetivo em curto tempo é plantar umas centenas de milhares de árvores onde passou o incêndio e as Juntas de Freguesias e as Comunidades Locais de Baldios já não são entraves, mas sim necessitados. Claro que nem tudo pode ser visto com leviandade pois, no mesmo território cinzento decorrem trabalhos de remoção de madeiras queimadas através de meios mecânicos e que alteram ainda mais a paisagem com novos acessos e trilhos rasgados e desorganizados por todo o lado, causando também grande impacto negativo no solo e paisagem. Estarão as entidades conscientes disso?

O misterioso e enigmático Alvão que tem ocupação humana desde a Pré-história e que por todo o lado se encontram marcas, vestígios e arquiteturas milenares estarão devidamente salvaguardadas nestas grandes movimentações de terra, ou se manterão desconhecidos ou ignorados sabendo que a Lei n.º 19/2014 de 14 de Abril (as Bases da Política do Ambiente) estabelece no art.º 10 (componentes ambientais naturais) alínea f) a salvaguarda da paisagem implica a preservação da identidade estética e visual e da autenticidade do património natural e construído e dos lugares que suportam os sistemas socioculturais e formam a identidade nacional.

Os trabalhos florestais dada a extensão territorial implicam revolvimento de terras e alteração topográfica do terreno, carecem de pelo menos de Acompanhamento Arqueológico para salvaguardar os vestígios do passado que estão imbuídos e também caracterizam o PNA.


© A Voz de Trás-os-Montes