Sem audácia, não há sorte
Se a nova classe média-alta da 1.ª Liga, Famalicão, Gil Vicente, Arouca, Santa Clara e Moreirense, aproveitar a divisão dos três maiores e se se juntarem num projeto comum, vão liderar o futebol profissional.
Se a sorte protegesse os audazes, então os aventureiros, os incautos e os pouco prudentes seriam bem-sucedidos. Devemos excluir os tolos, porque esses não têm consciência do que fazem — não é a coragem que explica as suas acções destemidas.
No futebol português, sem estratégia, audácia, dinheiro e muito trabalho, é impossível ter sorte.
Em Famalicão, Miguel Ribeiro assumiu o risco de liderar uma equipa que não jogava na 1.ª Liga há décadas. Aos excelentes resultados desportivos e financeiros, junta uma relação harmoniosa com o clube, acrescentando o orgulho ao sentimento de pertença dos habitantes da cidade. O caminho começou na Liga 2, cresce sustentadamente todos os anos, apesar da enorme desvantagem que é não ter um estádio em condições.
No Gil Vicente, o regresso da figura tutelar de Francisco Dias, com ligações profundas e antigas no futebol português, permitiu resolver o caso Mateus e subir administrativamente à 1.ª Liga. Com um estádio excelente e bem dimensionado, investiu o necessário para ter uma estrutura profissional e que lhe permite vender jogadores por valores impensáveis para uma equipa da sua dimensão — tem em 2025/26 um balanço positivo de transferências de 20 milhões de euros.
O Arouca, liderado por uma família da terra, o pai Carlos e o filho Joel, são o mais resiliente projeto do futebol........
