Jorge Jesus? Pensámos mesmo bem nisto?
Roberto Martínez. Já muito se escreveu sobre ele, mas deixem-me também encerrar o capítulo e seguir em frente. O espanhol precisou de ser defendido quando os colegas portugueses não o queriam por cá por ser estrangeiro, e ainda por cima logo daqui ao lado, do outro lado da fronteira, e lembro-me que o fiz com ressalvas, lembrando que, apesar de achar que a ideia ofensiva colava melhor com a nossa identidade do que a do seu antecessor — antes de perceber que, afinal, era tão receoso quanto este — também não criava roturas. Era um homem de estatutos e hierarquias.
O medo que começou a ter quando finalmente percebeu que um sistema é mais do que três ou quatro números seguidos, que é preciso ter músculo a cobrir o esqueleto, acabou por aprisionar os jogadores ao modelo: Bruno Fernandes, Vitinha, João Neves, Cancelo, todos eles ficaram amarrados aos defeitos do espanhol. Cumprindo exemplarmente o guião, mesmo que poucas vezes fizesse sentido. Talvez só Nuno Mendes se tenha libertado um pouco, quando teve o físico do seu lado. Terão sido esses mesmos jogadores que o mantiveram no cargo com a conquista da Liga das Nações, sob a ameaça, também ela limitadora, de Mourinho. Admiti então que, finalmente, se poderia construir a partir daí. Enganei-me, porque Martínez não tinha bagagem para tal. Foi um erro de casting tremendo. Se tenho dúvidas que aquela geração belga, com uma defesa tão frágil, fosse realmente de ouro a ponto de conquistar uma grande competição, não tenho dúvidas de que estragou a portuguesa. O melhor grupo de trabalho que algum treinador teve à sua disposição, sim, e o resto é ruído.
Foi um........
