Entre a promessa e o abismo
Há clubes que vivem de vitórias e há clubes que vivem de ciclos. O Benfica, nos últimos anos, parece ter-se condenado a um lugar intermédio, uma espécie de purgatório onde a esperança renasce a cada verão apenas para ser consumida lentamente até ao inverno seguinte.
A discussão sobre a continuidade de José Mourinho não é nova. Na verdade, tornou-se quase estrutural, como se o treinador fosse apenas mais um capítulo de uma narrativa que se repete com pequenas variações.
Antes dele, foi Roger Schmidt. Antes dele, foi Bruno Lage. Em ambos os casos, a pergunta nunca foi apenas sobre o treinador. Foi sempre sobre o que o rodeava, sobre a qualidade das decisões tomadas acima dele, sobre a coerência de um projeto que parece dissolver-se ao primeiro sinal de frustração ou, simplesmente, que parece nunca existir.
Desta vez, porém, há um agravante que torna o cenário mais pesado. O investimento. Mais de 130 milhões de euros gastos para construir um plantel que, paradoxalmente, parece inferior ao anterior. Não se trata apenas de perceção, mas de uma comparação direta, quase cruel na sua simplicidade. Onde havia estabilidade, há agora dúvida. Onde havia rendimento, há intermitência.
A substituição de peças-chave revela mais do que um erro pontual. Expõe uma lógica falhada. Trocar segurança por potencial pode ser um risco calculado. Trocar rendimento........
