Portugal e o caso que não era um caso
Há situações que surpreendem pelo que acontece e outras pela forma como são conduzidas. Esta reúne as duas. Se se confirmar a saída definitiva de Cristiano Ronaldo nestas circunstâncias, estaremos perante um dos episódios mais tristes e lamentáveis da história da Seleção Nacional. Não porque um jogador não possa sair, mas porque a forma como se gere esse momento também faz parte da história que fica.
Não vou centrar esta reflexão na saída de Ronaldo do relvado, no jogo com a Noruega, antes dos colegas e sem agradecer aos portugueses presentes nas bancadas. Foi uma reação correta? Claro que não. Consigo compreendê-la? Sim. Compreender não é concordar. Mas quem nunca reagiu mal à frustração? Quem nunca precisou de alguns minutos para recuperar o equilíbrio entre aquilo que sentia e aquilo que deveria fazer? Reconhecer que um comportamento foi inadequado não nos impede de compreender a emoção que o antecedeu. Também não vou entrar na discussão sobre egos, onde me parece residir o busílis da questão. Prefiro olhar para aquilo que vimos e ouvimos na conferência de imprensa de Jorge Jesus, enquanto exercício de comunicação em crise. Porque, independentemente do que se passou entre treinador e jogador, havia uma situação pública que precisava de ser esclarecida e uma equipa que precisava de serenidade.
Jorge Jesus foi ele próprio. Isso não surpreende. O seu estilo........
