O dinheiro que não existe
Portugal tem um talento particular para discutir a divisão de um bolo que quase ninguém tratou de fazer crescer. Nos direitos televisivos do futebol, esse talento tornou-se método. Reuniões, declarações, propostas, contrapropostas. Muito ruído, pouca consequência. E uma pergunta que continua por fazer.
Quanto vale, hoje, o futebol português?
O debate foi desviado para a distribuição. Quem recebe mais, quem recebe menos, se é justo, se equilibra, se protege. São questões legítimas, mas secundárias. Todas partem do mesmo erro de base: assumir que o problema está na forma como o dinheiro é dividido.
O problema está no valor. No valor real que o campeonato consegue gerar num mercado onde ninguém paga por boas intenções.
E a resposta, sendo séria, não é confortável. O futebol português vale menos do que podia. E, em alguns pontos, menos do que devia. Não por falta de talento. Esse continua a sair em quantidade e qualidade suficientes para alimentar as maiores ligas do mundo. Não por falta de história. Essa ninguém nos tira. Vale menos porque, quando o produto é analisado de fora, há demasiadas coisas que não acompanham o que hoje se exige.
Olhe-se para o básico. Relvados irregulares, jornadas em que a qualidade do jogo começa condicionada antes do apito inicial. Quem........
