menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A infância também entra em campo

21 0
30.06.2026

Num jogo de futsal para crianças deve existir espaço para que aconteçam muitas coisas que, mais tarde, numa fase mais avançada da vida, serão mais difíceis de aceitar e até menos prováveis de acontecer.

E tudo isto por uma razão muito simples: não estamos a falar de jovens nem de adultos. Estamos a falar de crianças.

Quando digo que deve existir espaço, quero dizer que deve existir compreensão, aceitação e bom senso.

Uma criança pode distrair-se com algo que vê na bancada. Pode tentar uma finta dentro da sua própria área. Pode dar um passo de dança durante o jogo. Pode ignorar momentaneamente a bola porque ficou fascinada com algo na sua camisola. Pode abandonar o campo porque quer beber água. Duas crianças podem ficar à conversa enquanto o jogo continua.

Tudo isto são situações que realmente podem acontecer.

E talvez o mais curioso seja perceber que muitas destas situações apenas nos parecem estranhas porque, por momentos, nos esquecemos de quem está dentro do campo.

Por vezes, parece que o simples facto de uma criança vestir um equipamento e entrar para um jogo faz com que deixemos de olhar para ela como criança e passemos a olhar apenas para ela como atleta.

Mas a entrada num campo não apaga a infância. Dentro ou fora dele, a criança continua a ser criança.

Continua curiosa, imaginativa e facilmente distraída por aquilo que a rodeia. Continua a descobrir o mundo e, ao mesmo tempo, a descobrir o jogo. Esquecer este princípio talvez seja um dos erros mais frequentes do desporto de formação, porque leva os adultos a esperar comportamentos, níveis de concentração e formas de compreender o jogo que nem sempre são........

© A Bola