A infância também entra em campo
Num jogo de futsal para crianças deve existir espaço para que aconteçam muitas coisas que, mais tarde, numa fase mais avançada da vida, serão mais difíceis de aceitar e até menos prováveis de acontecer.
E tudo isto por uma razão muito simples: não estamos a falar de jovens nem de adultos. Estamos a falar de crianças.
Quando digo que deve existir espaço, quero dizer que deve existir compreensão, aceitação e bom senso.
Uma criança pode distrair-se com algo que vê na bancada. Pode tentar uma finta dentro da sua própria área. Pode dar um passo de dança durante o jogo. Pode ignorar momentaneamente a bola porque ficou fascinada com algo na sua camisola. Pode abandonar o campo porque quer beber água. Duas crianças podem ficar à conversa enquanto o jogo continua.
Tudo isto são situações que realmente podem acontecer.
E talvez o mais curioso seja perceber que muitas destas situações apenas nos parecem estranhas porque, por momentos, nos esquecemos de quem está dentro do campo.
Por vezes, parece que o simples facto de uma criança vestir um equipamento e entrar para um jogo faz com que deixemos de olhar para ela como criança e passemos a olhar apenas para ela como atleta.
Mas a entrada num campo não apaga a infância. Dentro ou fora dele, a criança continua a ser criança.
Continua curiosa, imaginativa e facilmente distraída por aquilo que a rodeia. Continua a descobrir o mundo e, ao mesmo tempo, a descobrir o jogo. Esquecer este princípio talvez seja um dos erros mais frequentes do desporto de formação, porque leva os adultos a esperar comportamentos, níveis de concentração e formas de compreender o jogo que nem sempre são........
