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O que o futebol português podia aprender com o Bodo

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15.03.2026

O Sporting saiu da Noruega com uma derrota pesada (0-3). Para chegar aos quartos de final, os leões terão de olhar primeiro para dentro e fazer um jogo quase perfeito frente à equipa sensação da UEFA Champions League. Mas o que faz do FK Bodo/Glimt um caso tão especial no futebol europeu?

O primeiro ponto de partida para um clube crescer de forma sustentada é ter uma base de apoio sólida. O FK Bodo/Glimt está inserido numa cidade com cerca de 50 mil habitantes, a cidade de Bodo. À partida, a dimensão da população podia ser um entrave ao crescimento e ao sucesso do clube. No caso do Bodo/Glimt aconteceu exatamente o contrário. Essa base de apoio, pequena mas extremamente fiel, é hoje uma das maiores forças do clube. Para crescer, os clubes precisam de conhecer os seus pontos fortes e fracos — e saber potenciar uns e compensar outros.

Quem dirige o Bodo percebeu isso desde cedo. Por isso mesmo, o estádio tem apenas cerca de oito mil lugares. Um número aparentemente pequeno, mas ajustado à realidade do clube. Os adeptos estão sempre presentes, sentem orgulho na equipa e identificam-se com a Direção, com o treinador e com os jogadores. Essa ligação cria algo muito poderoso: o futebol torna-se também uma forma de projetar a cidade no mundo. Para termos uma ideia da dimensão, a cidade de Bodo tem praticamente o mesmo número de habitantes que Évora.

Joguei vários anos em Aveiro, uma cidade que hoje tem cerca de 80 mil habitantes. No início dos anos 2000 sentia-se claramente o orgulho e o sentimento de pertença........

© A Bola