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O futebol infantil não pode estar dependente dos pais

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24.02.2026

No sábado passado, como em quase todos os sábados do último ano e meio, levantámo-nos com as galinhas. O Pedro tinha jogo de futebol e, num distrito tão grande como o de Évora, isso implica que, de quinze em quinze dias, existam quase sempre umas largas dezenas de quilómetros entre a nossa casa e o local onde os jogos se realizam. Há trinta anos, quando eu tinha a idade que ele tem hoje, não passava pela cabeça de ninguém que os pais acompanhassem os filhos em todos os jogos fora. Acontece que hoje não há sequer possibilidade de escolha. Ou os pais vão e levam os miúdos ou o campeonato não chega a arrancar por falta de comparência das equipas. Porque se há trinta anos os municípios cediam autocarros e os clubes ainda tinham duas ou três carrinhas de nove lugares para transportar miúdos, a verdade é que agora todas essas coisas são praticamente ficção.

Quem de nós, e aqui falo especificamente dos millenials desta vida, não recorda com nostalgia as viagens nas carrinhas dos clubes, com os companheiros de equipa e os treinadores, num tempo em que os telemóveis não existiam e o lanche era uma sandes de fiambre com manteiga e um Compal de pêssego? Hoje, infelizmente, a maioria dos nossos filhos nunca vai conhecer essa sensação.

Antes que perguntem, eu gosto de ir aos jogos do Pedro e sei que os miúdos, pelo menos na idade dele, ainda gostam de ter os pais por perto. Mas, e desculpem se isto melindra alguém, sinto que passámos de um extremo ao outro sem passar pelo meio onde reside a virtude. Porque se antigamente os nossos pais iam de menos, hoje estamos claramente demais. E isso nota-se no comportamento dos miúdos, na falta de maturidade geral e até na postura que assumem aquando das derrotas.

Reparem, a existência de transporte assegurado pelos clubes........

© A Bola