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O futebol e o patriarcado

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10.02.2026

Escrevo esta crónica duas horas antes do jogo que vai colocar frente a frente o FC Porto e o meu Sporting. E sim, o meu Sporting. Porque ao contrário do que insinuam semanalmente em alguns comentários, eu não devo rigorosamente nada à isenção nem tenho o dever de disfarçar coisa nenhuma. Sou colunista deste jornal, não jornalista. E isso dá-me a feliz liberdade de poder escrever sob a única perspectiva possível no meu caso: a perspectiva de uma sportinguista.

Conhecem a fábula da rã e do escorpião? Assim de forma muito resumida, havia um escorpião que precisava de atravessar um rio e, não sabendo nadar, pediu a uma rã que o transportasse às costas. Ora, a rã, conhecendo a fama do escorpião, disse-lhe inicialmente que nem pensar, mas o escorpião acabou por convencê-la. Os argumentos que o escorpião utilizou, na verdade, foram lógicos e sensatos e a rã começou a pensar que, de facto, ele não tinha qualquer interesse em fazer-lhe mal — afinal de contas o escorpião precisava mesmo de atravessar o rio e, sem ela, não poderia fazê-lo. Assim, a rã acabou por ceder e permitiu que o escorpião se montasse nas suas costas. E a travessia até começou bem, mas exatamente a meio do caminho a rã sentiu a ferroada. Desesperada perguntou ao escorpião porque é que lhe mordera sabendo que, assim, para além de não conseguir atravessar o rio, iria acabar por morrer. E foi aí que ele lhe respondeu que até tinha tentado, mas que lhe fora impossível contrariar a natureza porque, por muito que se esforçasse, um escorpião seria sempre um escorpião.

E é isto. Aqui no meu caso, uma leoa será sempre uma leoa e não vale a pena tentar ser........

© A Bola