Ter os melhores não chega, é preciso a melhor equipa
Portugal saiu do Mundial e, como sempre acontece nestes momentos, a primeira tentação é procurar culpados. Um lance, uma decisão, uma substituição, um jogador, um selecionador. O futebol vive muito dessa necessidade de explicar em poucos minutos aquilo que, quase sempre, resulta de meses ou anos de construção.
Mas talvez este seja o momento em que devemos resistir à leitura mais fácil. Não porque a eliminação não doa. Dói. Não porque as expectativas não fossem legítimas. Eram. Não porque Portugal não tivesse qualidade para ir mais longe. Tinha. E é por isso que esta reflexão se torna mais importante.
Portugal não caiu por falta de talento. Caiu apesar do talento. E esta diferença muda quase tudo.
Durante muitos anos, o futebol português viveu com orgulho a ideia de competir acima das suas possibilidades. Éramos um país pequeno, com jogadores de enorme qualidade, mas nem sempre com profundidade para olhar todas as grandes seleções nos olhos. Hoje, essa realidade mudou. Portugal já não entra num Mundial apenas para fazer boa campanha. Portugal entra para ganhar. E quando uma Seleção entra para ganhar, ser eliminada antes dos momentos decisivos obriga a pensar.
O percurso da nossa Seleção deixou sinais positivos. Houve qualidade individual, momentos de bom futebol, capacidade para reagir, competitividade e jogadores a demonstrar que o presente e o futuro continuam bem servidos. Portugal tem talento em quase todas as zonas do campo e futebolistas habituados à exigência dos maiores clubes.
E foi talvez aí que Portugal ficou aquém. Não na ausência de qualidade, mas na dificuldade em transformar qualidade em continuidade. Não na falta de grandes jogadores, mas na incapacidade de ser, durante todo o torneio, uma........
