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O futebol português precisa de um plano para crescer — não apenas de clubes para ganhar

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16.09.2026

O futebol português habituou-se a fazer muito com pouco. Formamos jogadores para os melhores clubes do mundo, exportamos treinadores, produzimos conhecimento, competimos regularmente nas provas europeias e temos uma Seleção Nacional capaz de disputar qualquer competição para ganhar.

Não é pouco. É extraordinário para a dimensão do país.

Mas talvez tenha chegado o momento de fazermos uma pergunta mais difícil: estamos verdadeiramente a fazer crescer o futebol português ou estamos apenas a conseguir que alguns dos seus protagonistas tenham sucesso?

São coisas diferentes.

Durante muitos anos, o talento permitiu-nos compensar algumas fragilidades estruturais. Quando faltou capacidade financeira, formámos melhor. Quando não conseguimos reter jogadores, vendemos. Quando os nossos clubes não puderam competir pelos mesmos salários, encontraram talento antes dos outros. Criámos uma extraordinária capacidade de adaptação.

O problema é que aquilo que começou por ser uma vantagem competitiva não pode transformar-se numa dependência.

Portugal não pode aceitar como inevitável que o seu principal modelo de crescimento seja descobrir, formar, valorizar e vender. As transferências continuarão a ser fundamentais para a sustentabilidade dos clubes portugueses. Faz parte da nossa realidade económica e seria pouco realista defender o contrário.

Mas uma coisa é vender porque existe uma oportunidade extraordinária. Outra é ter de vender para conseguir continuar.

O problema do futebol português não é a falta de talento. É quanto desse talento conseguimos transformar em valor antes de o entregarmos aos outros.

E é aqui que a discussão deixa de ser apenas dos clubes.

Se queremos uma Liga mais forte, clubes mais competitivos na Europa e uma indústria do futebol........

© A Bola