Jorge Jesus pode mudar mais do que a Seleção
Portugal venceu o País de Gales e a Noruega. Duas vitórias, seis pontos e um começo promissor. Mas o impacto de Jorge Jesus não se mede apenas pela classificação ao fim de dois jogos. A pergunta é outra: conseguirá um treinador habituado a transformar diariamente as suas equipas imprimir uma identidade reconhecível numa Seleção que se reúne durante poucos dias de cada vez?
Num clube, um treinador repete comportamentos, corrige distâncias, experimenta soluções e volta a trabalhar no dia seguinte. Numa Seleção, recebe jogadores com hábitos diferentes e tem de competir quase de imediato. O tempo está dividido por viagens, recuperação física e jogos. Cada sessão de treino conta. Cada mensagem tem de ser clara.
É por isso que a chegada de Jorge Jesus desperta curiosidade. Ao longo da carreira, as suas equipas foram associadas a exigência, intensidade, organização e intervenção constante do treinador. Importa perceber que princípios podem sobreviver quando o trabalho diário dá lugar a encontros breves e espaçados. O talento de um selecionador também se revela na capacidade de escolher o que ensinar primeiro.
A vitória sobre Gales, por 1-0, deixou sinais de uma equipa que quis pressionar, recuperar a bola cedo e jogar perto da baliza adversária. A vitória na Noruega, por 2-1, colocou Portugal perante um problema diferente: um adversário mais ameaçador, fases de menor controlo e a necessidade de resistir sem perder a capacidade de decidir. João Félix marcou nos dois encontros; Gonçalo Ramos fez o golo que resolveu o jogo em Oslo. Os resultados contam, naturalmente. Mas os dois contextos dizem-nos mais do que duas linhas numa tabela: uma ideia só ganha valor quando consegue adaptar-se às dificuldades........
